Integrantes da oposição no Congresso Nacional criticaram e viram como “desmedida” a nota do Itamaraty em resposta ao governo norte-americano sobre decisões da Justiça brasileira. Governistas, por outro lado, defenderam a postura em prol da soberania do Brasil.
Enquanto aliados do governo consideraram que a nota teve o “tom” certo, o líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), avalia que o caso pode escalar para uma crise diplomática com consequências econômicas para o Brasil.
Na quarta-feira (26), o Ministério das Relações Exteriores divulgou posicionamento em que condenou a politização de decisões judiciais. Como a CNN mostrou, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi consultado pelo Itamaraty antes da publicação da nota.
O magistrado é alvo de embate com a plataforma de vídeos Rumble e o grupo de comunicação do presidente americano, Donald Trump. A resposta do Itamaraty foi publicada após o Departamento de Estado dos Estados Unidos criticar bloqueios e multas impostas a empresas norte-americanas determinados por Moraes.
“Me parece que houve interferência de fora do Itamaraty na redação dessa nota lamentável. Caminhamos a passos largos rumo a uma crise diplomática com sérias consequências para nossa economia. Não me parece razoável comprar uma briga desse tamanho com os Estados Unidos, um parceiro histórico do Brasil”, afirmou Zucco à CNN.
Deputados do partido Novo apresentaram um pedido de convocação do chanceler Mauro Vieira para prestar esclarecimentos sobre a nota do Itamaraty e sobre a consulta prévia a Moraes. O requerimento, que ainda precisa ser votado pelo plenário, é assinado por Marcel van Hattem (RS), Adriana Ventura (SP), Gilson Marques (SC) e Ricardo Salles (SP).
Governistas acionam PGR
Para aliados do governo, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) teria influenciado o posicionamento crítico às decisões de Moraes por parte do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos, órgão do Departamento de Estado do país.
O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), acionou nesta quinta-feira (27) a Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir uma investigação criminal e a cassação do passaporte diplomático de Eduardo.
Nos últimos meses, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem se aproximado de políticos norte-americanos de perfil conservador. Conforme revelou a BBC Brasil, na última semana, Eduardo se reuniu com Michael Kozak, autoridade do Escritório do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado.
Em publicação no X, Lindbergh acusou Eduardo de “patrocinar junto ao governo Trump e parlamentares de extrema-direita retaliações contra o Brasil e o ministro Alexandre de Moraes”. O líder do PT também afirma que Eduardo Bolsonaro praticou crimes contra a soberania nacional, além de tentar intimidar autoridades e interferir em investigações criminais.
As ações contra Eduardo foram impulsionadas por outros deputados da base governista. Rogério Correia (PT-MG) também acionou a PGR contra o bolsonarista, e Guilherme Boulos (PSOL-SP) informou que acionará o Ministério Público Federal (MPF) por crime de “lesa pátria”.