Nísia Trindade foi demitida do Ministério da Saúde nesta terça-feira (25), marcando a oitava troca ministerial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nísia será substituída por Alexandre Padilha, hoje ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais.
A troca de Nísia ocorre após pressões internas e do próprio presidente para dar ao Ministério da Saúde um viés mais “político” e concretizar entregas consideradas prioritárias por Lula.
Relembre as trocas ministeriais
Das oito trocas realizadas na Esplanada desde 2023, seis ministros foram demitidos. O primeiro a deixar o governo foi o General Gonçalves Dias, que comandava o Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Dias apresentou sua demissão em abril de 2023, após a CNN divulgar imagens de câmeras de segurança do Palácio do Planalto no dia dos ataques de 8 de janeiro, quando bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília.
As filmagens mostravam o ex-ministro caminhando com invasores pelo prédio. Diante da má repercussão das imagens, Dias foi substituído por Marcos Antônio Amaro Dos Santos.
Dois meses depois, em junho de 2023, Lula demitiu a então ministra do Turismo, Daniela Carneiro, que havia sido escolhida pelo União Brasil, partido que integra a base de apoio do presidente no Congresso Nacional.
No entanto, em abril de 2023, Daniela pediu desfiliação do partido, alegando assédio da direção nacional da sigla. Sob pressão da legenda, ela entregou o cargo e foi substituída por Celso Sabino, também do União.
Já em setembro de 2023, Lula promoveu uma minirreforma ministerial, na tentativa de incluir o Centrão na base aliada do governo e garantir mais votos no Congresso. A então ministra do Esporte, Ana Moser, foi retirada para dar lugar a André Fufuca, do Progressistas.
Silvio Costa Filho, do Republicanos, assumiu o Ministério de Portos e Aeroportos. A pasta era antes comandada por Márcio França, que foi realocado para um novo ministério, criado naquele mês: o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
A quinta troca na Esplanada ocorreu em fevereiro de 2024, quando o então ministro da Justiça, Flávio Dino, foi indicado por Lula para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), aberta com a aposentadoria da ministra Rosa Weber. A pasta da Justiça ficou sob o comando de Ricardo Lewandowski.
Em setembro de 2024 se deu uma das demissões mais marcantes do governo. O então ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida precisou deixar o cargo após acusações de assédio moral e sexual. Uma das vítimas teria sido a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
Segundo nota do governo, Lula considerou “insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações”. O inquérito que apura os relatos ainda está em andamento. O ex-ministro nega as acusações. Com a saída de Almeida, o ministério ficou a cargo de Macaé Evaristo.
A última troca antes de Nísia Trindade se deu em janeiro deste ano, quando Lula decidiu demitir o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Paulo Pimenta. A pasta passou a ser comandada por Sidônio Palmeira, publicitário que trabalhou na campanha presidencial de Lula em 2022.
A troca foi feita com o objetivo de aprimorar e modernizar a comunicação do governo, com foco em ganhar maior dimensão nas redes sociais e diminuir o alcance de notícias falsas sobre o Executivo.
A saída de Nísia Trindade nesta terça-feira marca, portanto, a oitava troca ministerial no governo Lula e a terceira substituição de uma mulher por um homem no comando das pastas, contrariando a promessa de campanha de Lula de aumentar a participação feminina na Esplanada.
Além de Nísia, uma reforma ministerial mais robusta é esperada para depois do Carnaval.
*Sob supervisão de Mayara da Paz