Ao comentar sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes comentou sobre mensagens interceptadas pela Polícia Federal que orientavam os militares a hostilizar familiares de agentes das Forças Armadas que não fossem favoráveis à suposta tentativa de golpe em 2022.
Moraes fez uma comparação ao funcionamento das “máfias”, que, segundo ele, possuem um “código de conduta” para que familiares dos envolvidos em disputas sejam poupados de ataques.
Segundo os autos, essas mensagens propunham ataques ao tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, então comandante da Força Aérea Brasileira, e ao general Marco Antônio Freire Gomes, que comandava o Exército. Conforme as investigações, Baptista Junior e Freire Gomes não aderiram à trama golpista.
“Vários militares passaram a ofendê-los e às suas famílias nas redes sociais, utilizando o que virou praxe para essas milícias digitais, utilizando as redes sociais para constranger, para humilhar, para afetar não só as pessoas, o alvo específico, mas também todos os seus familiares”, disse Moraes.
Moraes leu em plenário uma mensagem interceptada pela PF que teria sido enviada pelo general Walter Braga Netto –ex-ministro da Casa Civil e da Defesa– ao militar da reserva Ailton Barros.
A mensagem diz o seguinte: “Senta o pau no Baptista Junior. Povo sofrendo, arbitrariedade sendo feita e ele fechado nas mordomias, negociando favores. Traidor da pátria. Daí para frente, inferniza a vida dele e da família”.
“Gozado, ministro Flávio [Dino], que até a máfia tem um código de conduta de que os familiares são civis. Não entram na guerra entre os grupos mafiosos. Mas parece que aqui, lamentavelmente, nem isso foi seguido.”