O Brasil está na mira dos Estados Unidos em relação a possíveis tarifas comerciais, apesar de não figurar entre os 27 maiores países comercializadores do mundo, avalia o coordenador do Centro de Estudos de Negócios Globais da Fundadação Getulio Vargas (FGV), Lucas Ferraz.
Em entrevista à CNN, Ferraz disse que Brasil precisa reavaliar suas políticas comerciais protecionistas para melhorar sua posição no cenário global e evitar possíveis retaliações tarifárias, especialmente por parte dos EUA.
Ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Ferraz explicou que o Brasil tem poucas opções para se defender de possíveis tarifas ou demandas não tarifárias que podem ser impostas pelo governo americano. Ele ainda destacou que o país é um grande usuário de barreiras não tarifárias, incluindo barreiras técnicas, sanitárias e fitossanitárias ao comércio exterior.
Além disso, o Brasil mantém uma das maiores médias de tarifa de importação do mundo. Esse cenário de protecionismo excessivo é apontado por Ferraz como a principal razão para o país estar na mira dos Estados Unidos, mesmo não sendo um grande player no comércio internacional.
“O Brasil não é um grande player do comércio internacional. Essa é a verdade”, afirmou Ferraz. Ele ressaltou que não é possível comparar o Brasil com outros parceiros comerciais dos EUA, como a União Europeia, China, México, Canadá, Coreia do Sul ou Japão, que têm volumes de comércio significativamente maiores.
O ex-secretário observou que, apesar de o Brasil ter um déficit comercial com os Estados Unidos, o país está em uma lista complicada de nações que têm “irritantes comerciais” com a maior economia do mundo.
Essa situação, segundo Ferraz, chama muita atenção e coloca o Brasil em uma posição delicada nas relações comerciais internacionais.