O Brasil poderia adotar uma estratégia mais eficaz para lidar com as possíveis tarifas impostas pelos Estados Unidos, agindo em bloco com outros países sul-americanos, segundo Vitelio Brustolin, professor de relações internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard.
Em entrevista à CNN, Brustolin analisou a postura do Brasil em negociações internacionais e sugeriu que o país poderia ter mais força se reagisse contra as medidas de forma coordenada com seus vizinhos.
Setores potencialmente afetados
Embora não seja possível prever exatamente quais setores serão alvo das tarifas de Donald Trump, alguns são considerados mais vulneráveis. Entre eles estão o setor de ferro e aço, que já recebeu avisos anteriores, além de madeira, carvão e possivelmente etanol e combustíveis.
O comércio entre Brasil e Estados Unidos, que movimentou cerca de 40 bilhões de dólares no ano passado, é baseado principalmente em aço, alumínio e produtos semifaturados exportados pelo Brasil, enquanto o país importa produtos manufaturados como engrenagens e motores de avião.
Estratégia de negociação
Brustolin citou o exemplo do Vietnã, que adotou uma abordagem proativa ao enviar uma equipe aos Estados Unidos com ofertas concretas de redução de tarifas em produtos específicos, como gás natural, carros e etanol.
O professor sugere que o Brasil poderia seguir uma estratégia semelhante, mas com um poder de barganha ainda maior se agisse de forma coordenada com outros países da região.
Ele menciona a possibilidade de utilizar organizações como a Unasul (União de Nações Sul-Americanas) ou o Mercosul como plataformas para negociação direta com os Estados Unidos.
Oportunidades para o Brasil
Brustolin vê duas oportunidades principais para o Brasil neste cenário: reduzir o protecionismo brasileiro, considerado elevado não apenas em tarifas, mas também em subsídios, e assumir um papel de liderança na integração regional.
Como maior economia da América do Sul, representando metade do PIB e da população da região, o Brasil tem potencial para coordenar uma resposta conjunta com seus vizinhos, alinhando-se com as atuais diretrizes de política internacional do país.