A gestão econômica do presidente argentino Javier Milei tem surpreendido positivamente, segundo Samuel Pessôa, pesquisador associado do FGV IBRE. Em entrevista ao CNN Money, Pessôa avaliou o desempenho do governo Milei na área econômica, destacando os resultados obtidos com a política de austeridade fiscal.
Pessôa afirmou: “Na economia, o governo tem sido bem-sucedido. Ele me surpreendeu muito, porque o anedotário por trás do personagem Javier Milei não é pequeno”.
O pesquisador admitiu que inicialmente não esperava que o governo durasse mais de um mês, dada a figura polêmica de Milei.
A política de austeridade fiscal implementada por Milei tem gerado resultados significativos, principalmente na redução da inflação.
Pessôa explicou: “Uma parte grande da redução da inflação está por trás de uma contenção de um impulso fiscal que acontecia permanentemente”.
Com a eliminação do déficit público e a geração de um superávit primário, a necessidade do Banco Central de emitir dinheiro para financiar o déficit foi reduzida.
Retomada do crescimento
Além da queda na inflação, Pessôa destacou que a política de austeridade está contribuindo para a retomada do crescimento econômico e a redução da pobreza na Argentina. No entanto, o pesquisador apontou um ponto de preocupação: a fragilidade externa do país.
Diferentemente do Brasil, que conseguiu pagar sua dívida externa e acumular reservas durante o primeiro mandato do governo Lula, a Argentina ainda não superou essa fragilidade.
Pessôa explicou: “A Argentina está com uma conta de capital fechada e uma parte dessa redução da inflação tem um grau de artificialidade”.
O pesquisador alertou para o fato de que o câmbio argentino está artificialmente valorizado, o que pode gerar problemas futuros.
“A cotação do peso argentino está muito forte em relação à realidade do país e isso vai gerar problemas de exportação, importação”, afirmou Pessôa, acrescentando que uma maxidesvalorização do peso pode impactar negativamente a inflação.