A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou nesta quinta-feira (3) uma nota técnica em que analisa os efeitos do tarifaço de Donald Trump sobre as exportações do agronegócio brasileiro.
O impacto é considerado “crítico” ou “alto” para 19 produtos, como sebo bovino ou madeira perfilada, em que o mercado americano é predominante como destino dos exportadores brasileiros.
Nesses casos, segundo a CNA, haveria dificuldade em redirecionar as vendas para outros mercados. Não há, ainda, estimativa sobre valores.
“Antes do anúncio da medida, os produtos do agronegócio brasileiro contavam comalíquotas nominais médias de 3,9% do valor do produto. Com o acréscimo linear, estastaxas passarão à 13,9%, afetando a competitividade de artigos brasileiros”, afirma a entidade no estudo.
Para a CNA, os produtos mais afetados serão aqueles em que o Brasil é o maior fornecedor do mercado americano e não enfrenta concorrência relevante de outros produtores, sendo o único ou o principal afetado.
É o caso dossucos de laranja resfriados e congelados, onde o Brasil responde por 90% e 51% dascompras americanas, respectivamente; da carne bovina termoprocessada, com 63%; edo etanol, com 75%.
São situações em que a maior concorrência dos exportadores brasileiros é com os produtores americanos. Quando isso ocorre, a competitividade do Brasil nos Estados Unidos cairá dramaticamente.
Em 2023, por exemplo, o país comprou 1 bilhão de litros de suco de laranja resfriado brasileiro. Hoje se paga alíquota de 5,9%. Ela vai para 15,9% com o tarifaço de Trump.
A CNA projeta, diante disso, uma queda potencial do volume exportado para 261 milhões de litros por ano.
Apesar do impacto, a recomendação da entidade é negociar com os Estados Unidos e evitar retaliação imediata.
“Instrumentos de proteção para medidas retaliatórias e barreiras unilaterais, como o queserá alcançado por meio do PL nº 2088/2023 (PL da Reciprocidade), aprovado peloCongresso e que seguirá para sanção presidencial, devem ser utilizados apenas após o esgotamento dos canais diplomáticos, para defender os interesses brasileiros”, diz a CNA.
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