Impacto colossal explica diferenças entre os dois lados da Lua, diz estudo

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Amostras do lado oculto da Lua coletadas em missão chinesa indicam que um impacto extremo alterou o interior do satélite de forma permanente

Ilustração de impacto grande em um dos lados da Lua
(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)

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Amostras do lado oculto da Lua trazidas na missão espacial chinesa Chang’e-6 revelam que um impacto colossal é o responsável pela diferença geológica entre as duas faces do satélite natural. O estudo sobre as amostras analisou isótopos de potássio e ferro para confirmar que a formação da bacia South Pole-Aitken (SPA) moldou o interior lunar de forma assimétrica.

Essa descoberta, publicada na revista científica PNAS, ajuda a explicar a dicotomia lunar, fenômeno no qual o lado voltado para a Terra possui planícies vulcânicas, enquanto o lado oposto é montanhoso e com crosta espessa. Os dados indicam que o impacto que criou a bacia SPA foi muito mais violento do que outros já registrados na Lua. Foi brutal o suficiente para alterar de maneira permanente a composição e a temperatura do manto lunar.

Impacto evaporou elementos voláteis e transformou a estrutura interna da Lua

A análise química das rochas revelou uma perda significativa de elementos voláteis, como o potássio, impulsionada pelo calor extremo do impacto. Os pesquisadores identificaram um enriquecimento de isótopos pesados, processo que ocorre quando o calor intenso faz com que as versões mais leves dos elementos evaporem para o vácuo. Esse cenário sugere que a temperatura no local atingiu aproximadamente 2,5 mil graus Celsius, o suficiente para derreter parte do interior do satélite natural da Terra.

Sol aparecendo atrás da Lua
Impacto colossal é o responsável pela diferença geológica entre os dois lados da Lua (Imagem: Juergen Faelchle/Shutterstock)

Diferente da bacia Procellarum, no lado visível, a bacia SPA surgiu por conta de um impacto que afetou a distribuição de elementos produtores de calor. Essa assimetria térmica após a colisão impediu que o lado oculto desenvolvesse o mesmo nível de atividade vulcânica observado na face voltada para a Terra. Os dados fornecem a evidência mais robusta até agora de que grandes impactos são o principal motor da evolução e da aparência atual da Lua.

Apesar dos resultados detalhados, os cientistas ressaltam que novas amostras de outras regiões são fundamentais para uma conclusão. A missão Chang’e-6 é um marco por ser a primeira a fornecer material de uma área tão remota. Graças a ela, deu para comparar diretamente as assinaturas isotópicas de ambos os lados da Lua pela primeira vez. Em suma, o estudo reforça como colisões em larga escala podem definir a história geológica de corpos planetários.

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Já escreveu para sites, revistas e até um jornal. No Olhar Digital, escreve sobre (quase) tudo.

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