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Desde 1º de julho do ano passado, o mundo vem acompanhando com entusiasmo a passagem de um raro visitante pelo Sistema Solar: um cometa interestelar (apenas o terceiro objeto desse tipo já detectado por aqui). Diferentes observatórios na Terra, telescópios espaciais e até robôs exploradores em Marte registraram a trajetória e coletaram dados sobre o objeto.
Agora, está chegando o momento de se despedir. Como o cometa está se afastando cada vez mais do Sol e da Terra, sua atividade diminuiu drasticamente, assim como seu brilho. Atualmente, ele tem magnitude próxima de 15, o que representa o limite de detecção para a maioria dos telescópios usados por astrônomos amadores.

Em poucas palavras:
- Cometa interestelar descoberto em julho vem atraindo atenção de cientistas e curiosos;
- Diversos observatórios registraram e estudaram a trajetória e o comportamento do visitante;
- A atividade diminuiu e o brilho tornou-se fraco gradualmente, conforme o cometa vem se afastando do Sol;
- Últimos registros do objeto podem ser vistos ao vivo pela internet;
- Missões espaciais seguirão monitorando o cometa, que deve passar em breve por Júpiter.
De acordo com a BBC Sky at Night Magazine, nesta quinta-feira (22), o 3I/ATLAS atingirá a oposição. Quando um objeto está em oposição, significa que ele está praticamente alinhado com o Sol e a Terra, que fica posicionada no meio. Isso costuma representar o momento de maior brilho aparente para corpos planetários, pois eles ficam mais próximos de nós e completamente iluminados.
No caso do 3I/ATLAS, no entanto, é diferente. Ele atingiu seu pico de atividade no fim de outubro, quando passou pelo periélio, o ponto mais próximo do Sol. Depois disso, conforme ia se aproximando da Terra, o cometa foi se afastando da estrela e perdendo energia, tornando-se mais frio, pouco ativo e menos visível.

Quem quiser dar uma última “espiadinha” no “forasteiro”, mas não possui telescópio, poderá observá-lo em uma transmissão ao vivo programada para quinta à noite pelo Projeto Telescópio Virtual, do Observatório Bellatrix, na Itália, a partir das 20h30 (horário de Brasília), no YouTube.
Embora o cometa esteja desaparecendo para a observação amadora, ele continuará acessível para estudos profissionais por mais algum tempo. Observatórios de maior porte e sondas espaciais devem manter o monitoramento, com expectativa para futuras imagens capturadas em outras regiões do Sistema Solar.
Um desses momentos pode ocorrer em 16 de março, quando o 3I/ATLAS fará uma passagem relativamente próxima de Júpiter. Caso ocorra dentro do campo de visão adequado, a sonda Juno, da NASA, poderá fazer alguns registros, assim como outras missões já conseguiram a partir de Marte e do espaço profundo.

Leia mais:
Quando o objeto sai definitivamente do Sistema Solar
Espaçonaves que viajam rumo ao sistema joviano, como as sondas Europa Clipper (NASA) e JUICE (Agência Espacial Europeia), já coletaram informações relacionadas à interação com partículas e poeira, e a análise completa desses dados deve ser concluída nos próximos meses.
Apesar de já estar “de saída”, o cometa levará décadas para cruzar a heliopausa (onde o vento solar encontra o meio interestelar, a cerca de 120 vezes a distância entre a Terra e o Sol), considerada por muitos a fronteira física do Sistema Solar. Como comparação, as sondas Voyager levaram mais de 30 anos para chegar lá; objetos interestelares, como o 3I/ATLAS, embora muito rápidos, também levam muitos anos para cobrir essa vasta distância.








