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Tudo sobre Inteligência Artificial
A estratégia da Hyundai de acelerar a implantação de robôs humanoides em suas fábricas gerou reação negativa nos setores trabalhistas. Um sindicato da Coreia do Sul alertou a montadora nesta quinta-feira (22) que o uso dos robôs causaria “choques nos empregos”.
A entidade ainda afirmou que as máquinas não serão implementadas nas fábricas sem a aprovação prévia dos funcionários.
O alerta acontece em meio a novas regras da Coreia do Sul para regulamentar a inteligência artificial, que também foram recebidas com receio por parte das empresas.

Hyundai quer acelerar implantação dos robôs humanoides
Conforme reportado pelo Olhar Digital, a Hyundai quer usar o robô Atlas, da Boston Dynamics, em sua fábrica na Geórgia, nos Estados Unidos, já nos próximos anos. A intenção é que o equipamento comece de forma gradual, sequenciando peças, até que possa ser usado diretamente na montagem de componentes.
O plano da Hyundai é construir uma fábrica capaz de produzir 30 mil unidades de robôs por ano até 2028, todos destinados à fábrica da Geórgia.
Mas os trabalhadores da montadora reagiram de forma contrária. Em uma carta interna do sindicato acessada pela agência Reuters, os funcionários deixaram claro que os robôs humanoides podem ameaçar os empregos e que a adoção de qualquer tecnologia nova dependerá de um acordo formal entre empregados e empregadores. Segundo a entidade, não haverá espaço para a entrada das máquinas nas fábricas sem o consentimento sindical.

Expansão nos EUA e temor de cortes de empregos
- O sindicato acusa a empresa de utilizar a automação como forma de elevar a rentabilidade por meio da redução da força de trabalho;
- Além da robotização, a entidade também criticou a estratégia da Hyundai de ampliar a produção nos EUA. Segundo os representantes dos trabalhadores, a nova fábrica na Geórgia já estaria afetando negativamente a produção na Coreia do Sul e colocando em risco a segurança do emprego em pelo menos duas plantas por lá.
- A Hyundai já havia afirmado que a unidade americana deve atingir capacidade anual de 500 mil veículos até 2028, em um contexto de adaptação às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Procurada pela Reuters, a montadora não se pronunciou sobre as críticas do sindicato.

IA sob novas regras na Coreia do Sul
Em paralelo às tensões trabalhistas, a Coreia do Sul também avança na regulação da inteligência artificial. O Ministério da Ciência e das TIC apresentou nesta quinta-feira um conjunto de leis para nortear o uso da tecnologia, incluindo exigências de supervisão humana em aplicações consideradas de alto impacto, como transporte, saúde, finanças e infraestrutura crítica.
O governo afirma que o marco legal busca equilibrar inovação e segurança. Já startups e empresas do setor temem que regras pouco claras e penalidades elevadas desestimulem o desenvolvimento de soluções mais ousadas. As autoridades prometeram um período de um ano de adaptação e apoio às empresas antes da aplicação de multas.
Entre as regras estipuladas, estão a obrigatoriedade das companhias de avisar os usuários com antecedência se seus produtos ou serviços usam IA de alto impacto ou generativa, e ser claras sobre resultados gerados por IA, para diferenciá-los da realidade.
Por ora, o projeto está em consulta pública. Segundo a Reuters, as penalidades podem resultar em uma multa de até 30 milhões de won, mais de R$ 108 mil, por empresa.







