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Tudo sobre Artemis
Um dos elementos centrais do programa Artemis – que busca levar a humanidade de volta à Lua e estabelecer operações de longo prazo no satélite – é a cápsula Orion. A espaçonave representa mais de cinco décadas de conhecimento acumulado pela NASA no envio de astronautas ao espaço.
O maior teste da Orion ocorreu em novembro de 2022. Na ocasião, o foguete Sistema de Lançamento Espacial (SLS), considerado o mais potente já construído, levou a cápsula em um voo não tripulado para além do que qualquer outra nave projetada para transportar humanos já havia alcançado.
Esse ensaio, a chamada missão Artemis 1, serviu para validar sistemas essenciais e preparar o caminho para o próximo passo: levar astronautas de volta ao espaço profundo. A Orion será o veículo da tripulação que participará dessa nova fase de exploração lunar.

“A espaçonave Orion é a cápsula que levará astronautas e cargas científicas para a Lua”, disse Madison E. Tuttle, especialista em assuntos públicos do Centro Espacial Kennedy, da NASA, em entrevista ao site Space.com à época do lançamento Artemis 1. “Servindo como o veículo de exploração que levará tripulantes ao espaço, fornecerá capacidade de abortamento de emergência, sustentará a tripulação durante as viagens espaciais e fornecerá uma reentrada segura no retorno do espaço profundo, ela é construída para levar os humanos mais longe do que nós já fomos antes”.
Como é a cápsula Orion
O nome completo do veículo é Orion Multi-Purpose Crew Vehicle. Sua estrutura é formada por três segmentos principais. No topo, fica o sistema de abortamento de lançamento, que afasta a cápsula do foguete caso ocorra um problema durante a subida. Abaixo dele está o módulo da tripulação, com cinco metros de diâmetro, onde os astronautas viajarão e terão suporte de vida, aviônicos e sistemas de controle. Por fim, há o módulo de serviço europeu, fornecido pela Agência Espacial Europeia (ESA), responsável por levar oxigênio, água e energia elétrica gerada por painéis solares.

O projeto da Orion nasceu no início dos anos 2000 dentro do programa Constellation, que previa levar astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS) e posteriormente de volta à Lua. Nesse plano, ela substituiria os antigos ônibus espaciais.
Quando o Constellation foi cancelado em 2010, o foguete Ares 1 também foi encerrado, mas a cápsula Orion seguiu adiante. No ano seguinte, a NASA anunciou oficialmente a continuidade do veículo, com a Lockheed Martin liderando sua construção.
Em 2012, a ESA passou a integrar o esforço, colaborando com o desenvolvimento do módulo de serviço, cuja fabricação ficou sob responsabilidade da Airbus Defense and Space. Em 2020, já havia três versões da Orion em construção, e seis missões haviam sido acordadas entre NASA e Lockheed Martin.
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Orion já foi ao espaço duas vezes
A Artemis 1 não foi o primeiro voo da cápsula Orion. Em dezembro de 2014, um modelo de teste foi lançado por um foguete Delta Heavy, da United Launch Alliance (ULA), em uma missão de curta duração para coletar dados e avaliar sistemas. Esse voo, chamado EFT-1, durou pouco mais de quatro horas e terminou com um pouso no Oceano Pacífico.
Depois disso, a cápsula passou por testes acústicos e simulações de pouso, até finalmente integrar a Artemis 1. O sucesso desse voo demonstrou que os sistemas de navegação, suporte e comunicação funcionavam como esperado.

A próxima etapa será a Artemis 2, programada em uma janela que se abre em 6 de fevereiro, embora o cronograma ainda dependa de um teste crucial previsto para o dia 2. Essa missão levará uma tripulação de quatro pessoas para um voo ao redor da Lua, sem pouso, para validar os procedimentos finais antes da Artemis 3, que deve decolar em 2028, quando astronautas deverão voltar a caminhar na superfície lunar.








