Primeiro cometa descoberto em 2026 terá encontro arriscado com o Sol

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Um novo cometa está chegando ao Sistema Solar interno e fará uma passagem extremamente próxima do Sol entre 4 e 5 de abril, a uma distância que o enquadra na categoria dos “sungrazers” (rasantes ao Sol). Trata-se do primeiro cometa oficialmente descoberto em 2026, designado pela União Astronômica Internacional (IAU) como C/2026 A1 (MAPS).

A descoberta ocorreu em 13 de janeiro, no Chile, por um grupo de astrônomos amadores franceses que utilizavam um telescópio de 11 polegadas em San Pedro de Atacama. O programa é chamado de MAPS, nome formado pelas iniciais dos sobrenomes dos membros: Maury, Attard, Parrott e Signoret.

Em resumo:

  • Novo cometa foi detectado, sendo o primeiro descoberto em 2026;
  • Ele foi identificado por astrônomos amadores chilenos do programa MAPS;
  • Órbita lembra cometa Pereyra, possível fragmento Kreutz;
  • Cometas Kreutz passam extremamente perto do Sol;
  • C/2026 A1 é grande e, se sobreviver ao periélio, pode se tornar um espetáculo visual.
Registro do cometa C/2026 A1 (MAPS) feito em 21 de janeiro de 2026. Na imagem, ele aparece com brilho fraco (magnitude 17,2) e já exibe uma pequena cauda. A captura foi realizada com um telescópio de 51 cm em Siding Spring, na Austrália. Crédito: T. Prystavski / iTelescope Observatory (Facebook)

Pouco depois, o astrônomo Piero Sicoli, do Observatório Astronômico de Sormano, na Itália, analisou a órbita do objeto e encontrou semelhanças com o cometa C/1963 R1 (Pereyra). Isso levantou a hipótese de que ambos possam ser fragmentos de um corpo progenitor ou de outro cometa com trajetória parecida. Objetos desse tipo pertencem à família dos cometas Kreutz, nome que faz referência ao descobridor, o astrônomo alemão Heinrich Kreutz.

Os cometas Kreutz são conhecidos por passarem extremamente perto do Sol, em trajetórias que frequentemente terminam em desintegração. Muitos pesquisadores acreditam que todos possam ter origem em um único cometa gigante que se fragmentou há vários séculos, espalhando pedaços que hoje seguem órbitas semelhantes – extremamente alongadas, mas que não chegam tão longe quanto a Nuvem de Oort (uma imensa reserva de objetos gelados que circunda o Sistema Solar).

As primeiras imagens mostram o C/2026 A1 já com uma pequena cauda e uma coma difusa com tonalidade verde. A coloração indica emissão de carbono diatômico (C2), um gás comum em cometas quando começam a liberar material volátil conforme se aquecem ao se aproximar do Sol.

Atualmente, o cometa está na constelação de Eridanus, a cerca de 203,5 milhões de km da Terra. Um aspecto que chamou a atenção dos astrônomos foi o objeto apresentar magnitude próxima de 18 quando ainda estava a 2 unidades astronômicas (UA) do Sol. Como 1 UA equivale à distância entre a Terra e a estrela-mãe (em torno de 150 milhões de km), isso faz deste um dos cometas Kreutz mais distantes já observados antes do periélio (ponto mais próximo do Sol).

Órbita do cometa C/2026 A1 (MAPS). É possível notar que a passaem pelo Sol é realmente “rasante”, típica da categoria dos sungrazers. Antes de ser oficialmente nomeado, o objeto era identificado como 6AC4721. Crédito: Universidade do Arizona e Neofixer via EarthSky.org

Conforme destaca o guia de observação astronômica EarthSky.org, detectá-lo tão cedo sugere que o núcleo pode ser relativamente grande. Estimativas preliminares indicam um diâmetro de até 2,4 km, o que é significativo para um cometa dessa família. Caso isso se confirme, espera-se que ele se torne mais brilhante conforme avança em direção ao Sol nas próximas semanas e meses.

O C/2026 A1 chamou atenção da comunidade científica por combinar fatores raros: é um cometa grande da família Kreutz, foi detectado de forma incomum ainda distante e tem potencial para rivalizar com cometas históricos, como o Ikeya-Seki, observado em 1965. Se resistir ao encontro com o Sol, pode desenvolver uma coma visível durante o dia e uma cauda de poeira com milhões de km, algo que poucos cometas conseguem apresentar.

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As previsões atuais indicam que o C/2026 A1 deve passar a cerca de 783.892 km da superfície solar, uma distância extremamente pequena considerando que o Sol possui aproximadamente 139.267 km de diâmetro. A proximidade extrema cria cenários opostos: o cometa pode se desintegrar pelo calor e pelas forças gravitacionais ou pode sobreviver e brilhar intensamente após o periélio.

Cometa Lovejoy sobre o céu de Santiago, no Chile. Crédito: Yuri Beletsky (LCO)/ESO

Há exemplos conhecidos para ambos os cenários. O Ikeya-Seki passou a cerca de 450 mil km do Sol em 1965, sobreviveu ao periélio e atingiu magnitude -10, tornando-se o Grande Cometa daquele ano. Já o cometa Lovejoy, em 2011, cruzou a coroa solar a apenas 140 mil km da superfície e brilhou com magnitude entre -3 e -4, mas acabou se desintegrando dias depois da aproximação.

Além do aspecto visual, cometas como o C/2026 A1 funcionam como cápsulas do tempo, já que sua composição preserva materiais formados no início do Sistema Solar. O periélio extremamente próximo também ajuda a entender como o aquecimento solar afeta objetos ricos em gelo e poeira. Por fim, seus parâmetros orbitais podem contribuir para reconstruir a história de fragmentação da família Kreutz, possivelmente remontando a um único progenitor que se dividiu há aproximadamente um milênio.

Olhar Digital

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