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Lançado no início de novembro do ano passado e recentemente indicado a quatro categorias no Oscar, o filme O Agente Secreto repercutiu no Brasil, nos festivais de cinema estrangeiros e em Hollywood. Mas o que o longa tem de especial para chamar tanta atenção?
Estrelado por Wagner Moura, a produção retrata a história de um ex-professor de universidade pública que foge pelo país, sob diferentes codinomes, para evitar a perseguição de agentes governamentais e empresários corruptos. A seguir, entenda a repercussão do filme em terras estrangeiras.
Por que o filme O Agente Secreto causou tanto burburinho em Hollywood?

A caminhada de sucesso de O Agente Secreto começou na França durante o Festival de Cinema de Cannes de 2025. Por lá, a crítica especializada entrou em consenso sobre a altíssima qualidade na direção e performance do filme, o que o rendeu diferentes prêmios para o diretor, Wagner e para a direção do longa.
Estima-se que parte do prestígio do filme se dê pela conexão direta entre a narrativa apresentada e o cenário geopolítico mundial atual. No filme, ambientado no Brasil de 1977, a Ditadura Militar invoca cotextos de vigilância, poder, censura, repressão, e alta violência física e política — algo que ressoa diretamente sobre os conflitos armados, ataques à democracia e o autoritarismo entre países como EUA e Venezuela, Israel e Palestina, e Rússia e Ucrânia.
Dito isso, o filme atua quase como um espelho porque, embora os acontecimentos descritos se foquem no Brasil, não estão restritos ao nosso território e ressoam sobre o medo e a paranoia política internacional atual, sobre como pessoas inocentes (que estão ou não em zonas hostis de guerra) são deliberadamente envolvidas em conflitos violentos apenas por estarem em seu próprio país.

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A crítica trazida pela produção foi muito elogiada pelo juri que votou e cedeu os prêmios ao filme, sobretudo pelo enredo “universalmente poderoso e estilisticamente ousado”.
No ramo jornalístico, periódicos como The Guardian, The Hollywood Reporter, Variety e The New York Times destacaram a narrativa madura e ousada, e a qualidade da direção e performance de Wagner. Este sentimento foi traduzido não somente pelas resenhas em cada jornal, mas pelos altos índices de aprovação crítica em sites agregadores, como IMDB e Rotten Tomatoes.
Então, em resumo, os gringos elogiaram a importância do enredo que está no background do filme, a maneira como esse pano de fundo foi crucial para entender o drama do filme, as escolhas feitas para retratar as consequências desse cenário, como ele impactou a história dos personagens, a maneira como os atores (com destaque para Wagner Moura) interpretaram os personagens, e a importância sócio-política do contexto da Ditadura Militar e como as cenas de violência política e afronta à democracia estão interligadas com acontecimentos internacionais vigentes.
A Variety destacou a ascensão de Wagner no circuito de premiações e para cineastas e artistas latino-americanos. O LA Times classificou Moura como um marco histórico por sua indicação ao Oscar, como já ocorreu como Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.
O The Hollywood Reporter destaca o filme como um dos favoritos para ganhar o Oscar e como isso representaria um marco histórico para o audiovisual brasileiro.
O Deadline, por fim, inseriu o longa como um dos principais destaques deste ano.







