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As ações da Microsoft tiveram sua maior queda desde 2020 nesta semana. Na quinta-feira (29), o valor da empresa encolheu US$ 357 bilhões (aproximadamente R$ 1,8 trilhão) na bolsa de valores. Essa queda de 10% veio logo após a divulgação dos resultados financeiros da big tech.
Embora os números da Microsoft tenham mostrado lucros e receitas acima do esperado, investidores ficaram preocupados. O principal motivo de desânimo do mercado foi o desempenho da Azure, divisão de serviços de nuvem da Microsoft.
Esse setor cresceu 39%. Por um lado, é um número alto. Por outro, é ligeiramente menor do que o registrado no trimestre anterior (40%). E ficou abaixo da expectativa de alguns analistas.
A queda histórica nas ações da Microsoft reforça como o mercado tem cobrado resultados rápidos e grandiosos das big techs para justificar os bilhões de dólares gastos em inteligência artificial (IA).
Azure perdeu fôlego porque Microsoft priorizou projetos de IA
A desaceleração no crescimento da Azure não aconteceu por falta de clientes, mas por uma escolha da própria Microsoft. A empresa disse que precisou usar parte dos seus data centers para rodar seus próprios serviços de IA, como o Copilot, em vez de alugar essa infraestrutura para outras companhias.
Especialistas ouvidos pela CNBC ponderaram que fica cada vez mais desafiador manter crescimentos “explosivos” quando a empresa: 1) já atingiu um tamanho gigante; e 2) prefere focar na qualidade dos seus produtos de IA no longo prazo. Em outras palavras, é uma conta difícil de fechar.
Em paralelo, os gastos da Microsoft com infraestrutura dispararam 66%, chegando a US$ 37,5 bilhões (R$ 196 bilhões) em três meses. Esse dinheiro foi usado na construção de data centers, na compra de chips avançados para rodar modelos de IA e no reforço da parceria com a OpenAI, empresa que criou o ChatGPT. Para quem não lembra: a startup se comprometeu a usar US$ 250 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em serviços de nuvem da Microsoft para rodar sua IA.
Apesar do susto na bolsa, a flutuação do valor das ações se estabilizou nesta sexta-feira (30). Além disso, grandes bancos e analistas ainda encaram a Microsoft com otimismo. Eles argumentam que a empresa está sacrificando ganho imediato nas ações para garantir estrutura tecnológica boa para o futuro.








