Quem controla a IA? Pentágono e Anthropic entram em impasse

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O Pentágono e a Anthropic entraram em um impasse sobre os limites de uso de sistemas de IA em operações militares e de segurança interna. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o principal ponto de discordância envolve salvaguardas exigidas pela desenvolvedora para impedir que suas tecnologias sejam usadas em armas autônomas ou em vigilância doméstica contra cidadãos dos Estados Unidos.

O embate ocorre após meses de negociações envolvendo um contrato do Departamento de Defesa com a empresa que pode chegar a US$ 200 milhões. De acordo com as fontes, a companhia defende restrições mais rígidas sobre como seus modelos podem ser utilizados, enquanto o Pentágono sustenta que deve ter autonomia para aplicar tecnologias comerciais de IA, desde que respeite a legislação dos EUA.

A discussão é vista como um teste da relação entre o Vale do Silício e Washington, num momento em que empresas de tecnologia voltaram a se aproximar do governo após anos de tensões. O resultado pode influenciar como ferramentas de IA cada vez mais avançadas serão incorporadas às estratégias militares e de inteligência do país.

A posição da Anthropic irritou o Pentágono. Em um memorando interno datado de 9 de janeiro, autoridades do Departamento de Defesa argumentaram que políticas de uso impostas por empresas privadas não deveriam limitar a atuação do governo. Já representantes da empresa temem que suas tecnologias sejam usadas para monitorar a população ou orientar ataques sem supervisão humana adequada.

Logo da Anthropic em um smartphone na horizontal ao lado da página web do Claude Opus
CEO da Anthropic já fez alerta sobre uso de IA em operações militares (Imagem: Sidney van den Boogaard/Shutterstock)

Pentágono segue dependente da Anthropic

Apesar do conflito, o Pentágono pode continuar dependente da colaboração da empresa. Os modelos da Anthropic são desenvolvidos com mecanismos para evitar comportamentos potencialmente nocivos. Segundo as fontes, adaptações específicas para uso militar exigiriam o envolvimento direto de seus engenheiros.

Procurado pela Reuters, o Departamento de Defesa não comentou o assunto. Já a Anthropic afirmou, em nota, que suas soluções “são amplamente utilizadas em missões de segurança nacional pelo governo dos EUA” e que mantém “discussões produtivas” com o que o governo Trump passou a chamar de Departamento de Guerra.

A disputa surge em um momento sensível para a desenvolvedora, que se prepara para uma possível abertura de capital e vem investindo pesado na conquista de contratos na área de segurança nacional. No ano passado, a Anthropic esteve entre as poucas empresas selecionadas para trabalhar com o Pentágono, ao lado de nomes como Google, OpenAI e xAI, de Elon Musk.

Mesmo assim, o posicionamento cauteloso da empresa não é novo. Em texto recente publicado em seu blog, o CEO Dario Amodei afirmou que a IA deve reforçar a defesa nacional “em todos os aspectos, exceto naqueles que nos tornariam semelhantes a regimes autocráticos”. Ele também se manifestou publicamente contra ações violentas do governo em episódios recentes de repressão a protestos, o que ampliou o debate sobre os riscos do uso estatal dessas ferramentas.

Olhar Digital

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