empresa se defende após banir chatbots do WhatsApp

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A Meta afirmou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que chatbots de inteligência artificial de terceiros passaram a operar no WhatsApp Business explorando uma lacuna nos termos originais da plataforma.

Segundo a big tech, esses serviços utilizaram a API do WhatsApp Business para criar e registrar contas próprias como se fossem empresas, levando usuários a acreditar que estavam interagindo com prestadores de serviços humanos, quando, na prática, conversavam com sistemas automatizados de IA.

Em manifestação apresentada ao Cade na última sexta-feira (30), a Meta sustentou que esse tipo de uso “não foi previsto nem pretendido” quando a API foi desenvolvida.

A movimentação recente vem depois que a big tech proibiu chatbots de terceiros de operarem dentro do WhatsApp Business – o que impede serviços da OpenAI e Perplexity de funcionarem no app. O Cade, no entanto, considerou a medida como um possível abuso de posição dominante e abriu um inquérito administrativo para investigar possíveis infrações à ordem econômica.

Durante o processo, o órgão estabeleceu uma medida preventiva suspendendo a proibição da Meta. Dias depois, a Justiça Federal do Distrito Federal revogou a medida, permitindo que a Meta aplicasse os novos termos enquanto a investigação segue em andamento.

Celular com logomarca da Meta AI na tela; ao fundo, tela maior exibe logomarca do WhatsApp
Meta suspendeu serviços de terceiros, deixando o Meta AI como o único chatbot funcionando no WhatsApp (Imagem: Algi Febri Sugita/Shutterstock)

Embora grande parte do conteúdo entregue ao Cade esteja sob sigilo, a versão pública do documento informa que provedores de IA acessaram a API do WhatsApp Business seguindo o mesmo processo exigido de empresas tradicionais.

A Meta também argumentou que o setor de IA ainda está em fase inicial e passa por um período de experimentação, com o lançamento de novos recursos como forma de testar o setor. Como exemplo, a companhia citou iniciativas da OpenAI para expandir sua atuação em serviços de mensagens, incluindo recursos como conversas em grupo.

Para a Meta, esse ciclo constante de testes e inovações caracteriza a dinâmica competitiva atual do setor de IA. No caso do WhatsApp, um controle maior sobre a tecnologia seria essencial para manter a plataforma atualizada e competitiva.

Por outro lado, a Meta defende que chatbots de IA operados por terceiros não fazem parte da experiência central do WhatsApp e que a empresa tem visibilidade limitada sobre os usos específicos desses serviços dentro do aplicativo.

Em manifestações anteriores, a big tech já havia argumentado que as acusações de abuso de posição dominante do Cade são “fundamentalmente equivocadas” e que o WhatsApp não foi projetado para esse tipo de uso. A empresa defende que o local correto para oferecimento dos chatbots de IA é dentro de lojas de aplicativos, não no mensageiro.

Ao fundo, logo da Meta na tela de um notebook; à frente, um martelo de juiz
Investigação segue correndo no Cade (Imagem: mundissima/Shutterstock)

Decisão judicial e próximos passos

  • Apesar das manifestações recentes, o inquérito administrativo no Cade segue em andamento;
  • Segundo apuração da Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a decisão judicial não impede a continuidade da investigação sobre o WhatsApp, que deve seguir ainda no primeiro semestre deste ano;
  • Ao final da apuração, o Cade decide se abre um processo administrativo formal contra a Meta ou arquiva o caso.

Olhar Digital

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