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A possibilidade de manter drones em operação contínua, sem a necessidade de pousar para recarregar, começa a virar realidade. Pesquisadores, empresas e agências de defesa vêm testando tecnologias de transferência de energia sem fio capazes de alimentar veículos aéreos não tripulados a longas distâncias.
Na prática, a proposta abre caminho para missões mais longas e operações em ambientes onde o pouso é inviável ou arriscado.
Atualmente, são duas abordagens principais para tirar essa ideia do papel.
A primeira envolve a transmissão de energia por ondas eletromagnéticas em campo distante. Em 2021, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos Estados Unidos (DARPA) financiou estudos sobre esse tipo de carregamento, destinando recursos à pesquisadora Ifana Mahbub, da Universidade do Texas, para desenvolver métodos de direcionamento preciso de ondas eletromagnéticas a drones em voo.
A partir dessa pesquisa, Mahbub fundou a startup KinetixBeam, focada em sistemas de energia sem fio de longo alcance baseados em matrizes de faseamento, lentes de metasuperfície reconfiguráveis e receptores capazes de converter ondas em eletricidade a bordo das aeronaves.
A segunda linha de desenvolvimento aposta na transmissão óptica de energia, por meio de lasers. Em testes realizados no Novo México, a DARPA conseguiu transmitir cerca de 800 watts de potência a uma distância de 8,6 quilômetros usando um feixe de laser, estabelecendo um novo recorde para esse tipo de tecnologia. O experimento aconteceu em solo, mas demonstrou a viabilidade de sistemas escaláveis que, no futuro, podem ser integrados a drones.

Carregamento de drones no ar está em testes
Mais adiantada nesse campo está a PowerLight Technologies, empresa que pesquisa transmissão de energia a laser há cerca de duas décadas. Em dezembro do ano passado, a companhia anunciou ter testado com sucesso um sistema capaz de fornecer energia a um drone voando a 1.500 metros de altitude.
O sistema da PowerLight combina um transmissor portátil (de grande porte, mas portátil) com capacidade de rastrear e manter o foco em drones em voo. A ideia é que esse transmissor possa ser instalado ou deslocado até pontos estratégicos, garantindo a recarga contínua de drones.
Nos testes, a tecnologia foi avaliada com um receptor de 2,7 quilos acoplado a um drone elétrico de longo alcance K1000ULE, modelo utilizado por forças militares dos Estados Unidos.
Na prática, o processo envolve a conversão de energia elétrica armazenada em baterias do transmissor em luz de alta intensidade, enviada pelo ar por meio de um feixe óptico modelado. No drone, células fotovoltaicas transformam novamente essa luz em eletricidade, alimentando os sistemas de bordo. A empresa afirma que os subsistemas de transmissão e recepção estão em fase final de validação e que novos testes devem ocorrer ainda este ano.
Caso essas tecnologias se tornem operacionais em larga escala, podem transformar o uso de drones em diversas áreas. Como lembrou o site New Atlas, missões de defesa e reconhecimento, operações de busca e salvamento, inspeção de oleodutos e gasodutos e o monitoramento contínuo de áreas urbanas (como controle de tráfego e qualidade do ar) passariam a ser realizadas sem limitações de bateria, ampliando as possibilidades.









