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Construído pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA a um custo de US$2,2 bilhões, e lançado em 30 de julho de 2020, o rover Perseverance pousou em Marte às 17h55 (horário de Brasília) do dia 18 de fevereiro de 2021, portanto, está comemorando exatos cinco anos de trabalho – e mudando a maneira como olhamos para o Planeta Vermelho.
Destaques nesses cinco anos de missão:
- Foram percorridos 40,85 km de superfície;
- Captura de mais de 952 mil imagens;
- Coletadas e seladas 30 amostras marcianas;
- Construção do primeiro depósito de amostras fora da Terra;
- Produção de oxigênio em Marte com o instrumento MOXIE;
- Radar de penetração no solo usado para estudar camadas de rochas subterrâneas;
- Uso de um variado conjunto de técnicas para identificar minerais e moléculas orgânicas;
- Exploração detalhada do delta fossilizado na Cratera Jezero, antiga região lacustre marciana;
- Identificação de rochas sedimentares finamente laminadas, típicas de ambientes formados em água calma;
- Descoberta de minerais como carbonatos e sulfatos associados à presença prolongada de água líquida;
- Registro de variações sazonais na densidade atmosférica e na dinâmica de poeira;
- Observação de redemoinhos de poeira (dust devils) e estudo de seus efeitos na superfície;
- Mapeamento subterrâneo mais profundo com o radar RIMFAX, revelando camadas geológicas antigas preservadas;
- Monitoramento contínuo de radiação na superfície marciana para futuras missões tripuladas;
- Estudo de rochas ígneas que ajudam a datar eventos vulcânicos antigos do planeta;
- Identificação de compostos orgânicos mais complexos preservados em rochas sedimentares;
- Detecção de um possível sinal de vida antiga, com observação de estruturas microscópicas e assinaturas químicas compatíveis com atividade biológica passada;
- Consolidação do maior e mais bem documentado conjunto de amostras já coletado em outro planeta.

Após um período de testes de pouco menos de um mês, o aniversariante começou suas operações científicas em 13 de março de 2021. A missão: procurar por sinais da existência de vida passada na superfície marciana, mais especificamente em seu local de pouso, a Cratera Jezero, que já foi um antigo lago.
Para executar essa e outras tarefas, o rover é equipado com os seguintes instrumentos:
- Mastcam-Z: principal câmera científica do Perseverance, é um instrumento de imagem estereoscópica multiespectral;
- SuperCam: posicionada na “cabeça” do mastro de pescoço comprido do rover, essa câmera tem a função de Identificar os produtos químicos em rochas e solos, incluindo a composição de seus átomos e moléculas;
- Instrumento planetário para litoquímica de raios-X (PIXL): fica na torre existente no final do braço robótico e serve para medir a composição química das rochas em uma escala muito fina;
- Digitalização de ambientes habitáveis com Raman & Luminescence para orgânicos e produtos químicos (SHERLOC): localizado perto do PIXL, esse instrumento detecta minerais, moléculas orgânicas e bioassinaturas potenciais em escala fina;
- Experimento de Utilização de Recursos In-Situ de Oxigênio em Marte (MOXIE): localizado na parte interna do rover (frente, lado direito), é o instrumento usado para produzir oxigênio a partir da atmosfera marciana de dióxido de carbono;
- Analisador de Dinâmica Ambiental de Marte (MEDA): sensores localizados internamente no “pescoço” do mastro do rover e no convés, usados para medir o tempo e monitorar a poeira da superfície;
- Experimento de Radar Imageador para a Subsuperfície de Marte (RIMFAX): antena posicionada na parte inferior traseira do rover para ver as características geológicas sob a superfície com radar de penetração no solo.

Maior rover que já chegou a Marte
Desde o início de seus trabalhos, “Percy” (apelido dado pelos engenheiros) se manteve bem ocupado: ajudou nos testes de seu ex-companheiro de missão, o já aposentado Ingenuity, primeiro helicóptero a voar em outro planeta, e coletou uma série de amostras do solo marciano, embora nem sempre com sucesso, que deveriam trazidas de volta à Terra em uma missão futura conjunta entre a NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA), a Mars Sample Return, recentemente cancelada.
Ao longo desses anos, enquanto seguia com sua busca por amostras, o veículo de 1.025 kg (o maior rover que já chegou a Marte) executou outras tarefas, como captar o som ambiente do planeta.
Ele também já fez várias selfies e chegou a produzir oxigênio em um experimento pioneiro que pode auxiliar futuras missões tripuladas ao nosso vizinho mais cobiçado.
Leia mais:
Perseverance descobriu moléculas orgânicas em solo marciano
Não podemos deixar de mencionar as cenas curiosas que o rover fotografou em Marte, como uma rocha em formato de cobra, um eclipse solar, os restos de seu próprio equipamento de pouso e até mesmo “uma porção de espaguete”.
Ele também descobriu que Marte não é completamente “vermelho”, ao detectar areia verde na superfície do planeta.
Um dos feitos de maior relevância foi noticiado em 10 de setembro de 2025, sobre o rover Perseverance ter encontrado possíveis evidências de vida passada em Marte, com minerais e compostos orgânicos em rochas antigas formados pela ação de água. Seria mesmo um sinal de que Marte já abrigou vida em algum momento de sua história? Isso, só possíveis futuras análises dos cientistas feitas ao longo do tempo poderão confirmar.

Por falar em tempo, estaria o Perseverance perto de se aposentar? Teoricamente, já até passou da hora, já que ele foi projetado para trabalhar durante um ano marciano (o equivalente a 687 dias terrestres – completados em 6 de janeiro de 2023).
No entanto, no dia seguinte a esse marco, teve início a missão estendida do rover, que pode ser bem longa. Se tomarmos seu primo Curiosity como exemplo (há mais de 13 anos na ativa), Percy ainda tem muito o que trabalhar e descobrir em Marte.










