Este é o primeiro dia sem manchas no Sol em quatro anos

Publicidade

Siga o Olhar Digital no Google Discover

Neste domingo (22), o Sol apresenta um visual atípico, com sua superfície completamente limpa. Se ele permanecer assim até a meia-noite no Horário Universal Coordenado (UTC), o que equivale às 21h no horário de Brasília, este será o primeiro dia sem manchas solares confirmado desde 2022.

Manchas solares são áreas que aparecem temporariamente como pontos escuros na “pele” do astro. Elas parecem sombreadas por serem menos quentes que o restante do disco solar. Enquanto a superfície geral atinge cerca de 5.500°C, essas regiões ficam entre 3.500°C e 4.500°C. Essa diferença de temperatura cria o contraste visual que pode ser observado através de telescópios específicos.

Por que aparecem manchas no Sol

As manchas têm origem no forte campo magnético solar. O Sol é formado por plasma – um gás extremamente quente, composto por partículas carregadas eletricamente – que está em movimento o tempo todo. Esse movimento intenso cria campos magnéticos poderosos. Em algumas regiões, essas forças ficam muito concentradas e acabam dificultando a passagem do calor que vem do interior da estrela para a superfície. Com menos calor chegando ali, a temperatura diminui em comparação com as áreas ao redor, fazendo surgir uma mancha escura.

Quando energia demais se acumula nessas regiões, a pressão aumenta até que acontece uma espécie de “estouro” magnético. Nesse momento, uma grande quantidade de energia é lançada para o espaço – evento que é conhecido como erupção solar. Essas explosões enviam nuvens de partículas carregadas pelo espaço que, ao alcançarem a Terra, podem afetar satélites, sistemas de GPS e até redes elétricas. Por outro lado, também produz um espetáculo natural encantador: as auroras, vistas principalmente nas regiões próximas aos polos do planeta (boreais, ao norte, e austrais, ao sul).

Manchas solares de 1º a 31 de agosto de 2024, mês recorde até hoje no número de regiões ativas no Sol desde 2001. Crédito: SDO/Şenol Şanlı/Uğur İkizler

Por isso, o número de manchas funciona como um indicador da atividade solar. Quando o Sol apresenta muitas delas, significa que está em uma fase mais agitada, com maior chance de erupções e seus efeitos aqui na Terra.

Leia mais:

O que significa a ausência de manchas solares

A quantidade de manchas segue um ciclo natural que dura, em média, 11 anos. Existem períodos de “Máximo Solar”, com intensa atividade, e de “Mínimo Solar”, quando a estrela fica calma. Durante o último mínimo, entre 2018 e 2020, o Sol passou por um longo repouso, acumulando mais de 700 dias sem apresentar qualquer marca em sua superfície.

No entanto, a ausência de manchas neste domingo não quer dizer que o período de calmaria total voltou. De acordo com a plataforma de climatologia e meteorologia espacial Spaceweather.com, ainda faltam alguns anos para isso acontecer. O registro, na verdade, reforça a avaliação de que o Ciclo Solar 25 caminha para o encerramento. As manchas devem reaparecer em breve, possivelmente já na segunda-feira (23), mas a “paz” observada funciona como um sinal do que tende a se tornar mais frequente nos próximos anos.

Olhar Digital

Compartilhe essa Notícia:

publicidade

publicidade