Galáxia água-viva de 8,5 bilhões de anos é descoberta pelo Webb

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Um estudo publicado na última terça-feira (17) no periódico científico The Astrophysical Journal revela uma imagem rara de uma galáxia apelidada de “água-viva cósmica”. O registro foi feito pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA. Denominada COSMOS2020-635829, ela é vista como existia há 8,5 bilhões de anos, quando o Universo ainda estava em fase inicial de formação.

Segundo os astrônomos, a imagem mostra detalhes que não eram possíveis de serem captados com tanta nitidez antes do Webb e permite investigar como ambientes extremos influenciaram o crescimento e a transformação dessas estruturas gigantes.

Em resumo:

  • James Webb registrou rara galáxia água-viva cósmica;
  • COSMOS2020-635829 existiu há 8,5 bilhões de anos;
  • Pressão do aglomerado arrancou gás da galáxia;
  • Filamentos exibem estrelas jovens fora do disco;
  • Achado indica ambientes antigos mais agressivos.

A COSMOS2020-635829 pertence à classe das chamadas galáxias-medusa (ou água-viva), porque apresentam longos filamentos de gás que lembram tentáculos. Essas extensões surgem quando ela atravessa um aglomerado de outras galáxias e sofre a ação de fortes pressões, que arrancam parte do seu gás.

Uma visão completa da ESO 137-001, uma galáxia semelhante à “Medusa Cósmica” do Webb, vista pelo Telescópio Espacial Hubble. Crédito: NASA/ESA

Esse processo é conhecido como “arrancamento por impacto”. Ele ocorre quando a galáxia se move em alta velocidade por um meio denso, semelhante ao vento, que remove seu material gasoso. O gás deslocado forma trilhas extensas atrás da galáxia, criando o visual característico que lembra uma água-viva flutuando no espaço.

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Galáxia chamou atenção por forma incomum

A descoberta foi feita a partir de dados coletados no chamado campo COSMOS, uma região do céu amplamente estudada por cientistas. Essa área fica distante do plano da Via Láctea, o que reduz interferências de estrelas e poeira. Por isso, é considerada ideal para observar galáxias muito distantes.

De acordo com Ian Roberts, pesquisador do Centro de Astrofísica de Waterloo, no Canadá, a equipe analisava um grande volume de dados em busca de exemplos ainda não catalogados. Logo no início da pesquisa, a galáxia chamou atenção por sua forma incomum e por estar pouco documentada.

A imagem obtida pelo JWST mostra que o disco principal da galáxia é relativamente semelhante ao de galáxias atuais. No entanto, os filamentos de gás se destacam por exibirem pontos azuis brilhantes. Esses pontos indicam a presença de estrelas jovens que se formaram fora do disco central, dentro do material arrancado.

Imagens da COSMOS2020-635829 feitas pelo James Webb em quatro filtros diferentes. À direita, a versão colorida combina luz infravermelha em vermelho, verde e azul. Os círculos tracejados destacam quatro regiões brilhantes na “cauda” da galáxia. Crédito: Ian D. Roberts, Michael L. Balogh, Visal Sok, Adam Muzzin, Michael J. Hudson e Pascale Jablonka

Descoberta surpreendeu pesquisadores

Essa constatação trouxe uma surpresa aos pesquisadores. Até então, acreditava-se que os aglomerados de galáxias existentes há 8,5 bilhões de anos ainda não geravam pressão suficiente para provocar esse tipo de fenômeno com frequência. A descoberta sugere que esses ambientes já eram mais agressivos do que se imaginava.

Os cientistas agora pretendem aprofundar as análises da COSMOS2020-635829 usando novas observações do JWST. O objetivo é compreender melhor como galáxias foram transformadas no início do Universo e por que muitas delas deixaram de formar estrelas ao longo do tempo.

Olhar Digital

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