Raro super-Júpiter é descoberto a longa distância da estrela-mãe

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Uma equipe internacional de astrônomos descobriu um novo mundo orbitando de longe a estrela TIC-65910228, que fica a cerca de 864 anos-luz da Terra. A identificação foi feita com o Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito da NASA (TESS). Após o primeiro sinal, os pesquisadores realizaram observações de acompanhamento para confirmar o objeto.

O estudo está detalhado em artigo disponível para revisão de pares no servidor de pré-publicações arXiv.

Em resumo:

  • Super-Júpiter confirmado a 864 anos-luz da Terra;
  • Massa quase cinco vezes maior que a de Júpiter;
  • Raio ligeiramente superior e densidade elevada;
  • Órbita longa de cerca de 180 dias ao redor da estrela;
  • Sistema pode abrigar outros planetas, luas ou anéis

O planeta é classificado como um super-Júpiter porque possui tamanho e massa superiores aos do maior planeta do Sistema Solar. Ele é ligeiramente maior e quase cinco vezes mais massivo que Júpiter, o que indica tratar-se de um gigante gasoso com alta densidade e características bem definidas. A descoberta contribui para ampliar o número de planetas gigantes identificados além do nosso sistema planetário.

O exoplaneta NGTS-38 b, que tem 1,08 vez o raio e 4,78 vezes a massa de Júpiter, orbitando sua estrela a mais de 104,7 milhões de km de distância. Crédito: Stellarcatalog.com

Planeta super-Júpiter é extremamente denso

Também chamada de NGTS-38, a estrela hospedeira é classificada como do tipo F e apresenta elevada abundância de elementos químicos pesados. Com cerca de 2,2 bilhões de anos, possui dimensões próximas ao dobro das do Sol e massa estimada em 1,46 vezes a massa solar. Sua temperatura efetiva é aproximadamente 6.037°C.

O planeta foi identificado por meio do método de trânsito, quando um corpo passa à frente da estrela e provoca uma redução temporária no brilho observado. O TESS registrou um único evento desse tipo em dezembro de 2020. 

Para confirmar a descoberta, os pesquisadores realizaram observações de acompanhamento com o Levantamento de Nova Geração para Detecção de Trânsitos (NGTS), instalado no Observatório Paranal, no Chile, e com os espectrógrafos CORALIE e High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher (HARPS), ambos localizados no Observatório de La Silla, também no Chile. Esses instrumentos medem variações na luz e na velocidade da estrela, permitindo confirmar a natureza planetária do sinal.

Batizado de TIC-65910228 b ou NGTS-38 b, o planeta tem raio de 1,08 vezes o de Júpiter e peso de 4,78 massas jovianas. Isso resulta em densidade elevada, de aproximadamente 4,69 gramas por centímetro cúbico.

Um exoplaneta classificado como super-Júpiter foi descoberto orbitando estrela a mais de 104 milhões de km de distância. Crédito: Elliptic Studio – Shutterstock

Leia mais:

Por que a descoberta é rara

O planeta completa uma órbita a cada 180,53 dias, a cerca de 0,7 unidade astronômica da estrela (o que corresponde a 104,7 milhões de km). A temperatura de equilíbrio é estimada em 184,85°C.

Os pesquisadores afirmam que o objeto integra um grupo pequeno de Júpiteres com órbitas mais longas em trânsito bem caracterizado. Ele está entre os poucos com período superior a 100 dias detectados pelo TESS.

A grande distância orbital sugere que o sistema pode ter outros planetas internos. Também há possibilidade de existência de luas ou anéis ao redor desse gigante gasoso.

Olhar Digital

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