Siga o Olhar Digital no Google Discover
A ASML, gigante holandesa e peça-chave na engrenagem da tecnologia global, está traçando uma rota que vai muito além das famosas máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV). Em entrevista exclusiva à Reuters, a empresa revelou que planeja expandir seu portfólio para novas frentes de fabricação em um movimento estratégico para capturar uma fatia ainda maior do mercado de inteligência artificial.
Atualmente, a ASML é a única fornecedora no mundo das máquinas EUV, essenciais para que empresas como TSMC e Intel produzam os processadores mais avançados do planeta. No entanto, o objetivo agora é diversificar.
O grande foco da nova fase é o chamado empacotamento avançado. Se antes os chips eram projetados de forma plana, como casas térreas, a nova geração da IA exige estruturas que parecem arranha-céus, com múltiplas camadas de silício empilhadas e conectadas por furos nanométricos.
Essa mudança é vital para acelerar o processamento de modelos de linguagem e chatbots, como o ChatGPT. Conforme a complexidade aumenta, a precisão necessária para “colar” e conectar esses componentes torna-se um negócio altamente lucrativo.
“Olhamos não apenas para os próximos cinco anos, olhamos para os próximos 10, talvez 15 anos”, afirmou Marco Pieters, recém-nomeado Chief Technology Officer (CTO) da ASML.
O papel da IA na fabricação
A ASML também pretende aplicar inteligência artificial em seus próprios processos internos. Pieters, que possui experiência no desenvolvimento de software da companhia, indicou que a IA será usada para acelerar o software de controle das máquinas e otimizar a inspeção dos chips durante a construção.
Além disso, a empresa estuda como superar os limites físicos atuais. Hoje, o tamanho máximo de um chip que pode ser impresso é comparável ao de um selo postal. A ASML está pesquisando novas ferramentas de litografia e sistemas de escaneamento para permitir a criação de chips ainda maiores e mais potentes.
A dominância da ASML no setor é tão expressiva que seu valor de mercado já atinge os US$ 560 bilhões. Com as ações acumulando alta de mais de 30% apenas este ano, a expectativa de investidores sobre a gestão de Pieters e do CEO Christophe Fouquet é alta.
A empresa já deu os primeiros passos nessa nova direção com o lançamento do scanner XT:260, focado em memórias avançadas para IA. Sobre o futuro, Pieters é categórico: as novas ferramentas de empacotamento e conexão devem “coexistir ao lado do que temos feito nos últimos 40 anos”.









