Brasil busca viabilizar acesso pelo SUS até 2027

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O tratamento do câncer no Brasil enfrenta desafios para disponibilizar terapias de ponta com menor toxicidade e maiores chances de remissão. Entre elas, a terapia com células CAR‑T se destaca por atuar como um “medicamento vivo”, reprogramando geneticamente linfócitos T do próprio paciente para identificar e atacar células cancerígenas. A aplicação dessa tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS) esbarra principalmente nos altos custos de produção e na complexidade do processo.

O pesquisador Martín Hernán Bonamino, chefe do Programa de Terapia Celular e Gênica do Instituto Nacional de Câncer (INCA), assina um artigo no The Conversation, explicando os esforços nacionais para tornar a terapia acessível. Segundo ele, o objetivo é desenvolver estratégias de baixo custo que permitam a manufatura local das células CAR‑T, sem depender do envio das amostras para laboratórios internacionais.

Objetivo dos pesquisadores é reduzir os custos da terapia CAR-T para facilitar disponibilidade no SUS (Imagem: Design Cells / Shutterstock.com)

Disponibilidade global e brasileira da terapia CAR-T

  • A terapia CAR‑T já é utilizada em países como Estados Unidos, China, Japão e na Europa, além de ter aprovação no Brasil para três produtos:
    • O Kymriah (tisagenlecleucel), da Novartis, é indicado para crianças e jovens até 25 anos com Leucemia Linfoblástica Aguda de células B e para adultos com Linfoma Difuso de Grandes Células B.
    • O Yescarta (axicabtageno ciloleucel), da Gilead/Kite Pharma, trata adultos com Linfoma Difuso de Grandes Células B e Linfoma de Células do Manto.
    • O Carvykti (ciltacabtagene autoleucel), da Johnson & Johnson, é aprovado para Mieloma Múltiplo recidivado ou refratário.
  • Nenhum desses medicamentos está disponível no SUS atualmente.

Estratégias para reduzir custos

Grupos do INCA, Fiocruz, Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto buscam métodos mais econômicos de produção. Uma abordagem envolve substituir o vetor viral por um sistema não viral, usando um fragmento de DNA para induzir a produção da molécula CAR, reduzindo o tempo de preparação das células de mais de um mês para apenas oito dias. Bonamino destaca que esta plataforma permitirá validar novas versões de células CAR‑T a uma fração do custo atual.

Outras iniciativas incluem a criação de novas moléculas de CAR, desenvolvidas a partir de anticorpos convencionais e também de anticorpos de lhamas, animais que produzem proteínas menores e mais eficientes para biotecnologia. Desde 2020, um consórcio envolvendo UnB, Fiocruz Ceará e Centro Pasteur-Fiocruz trabalha nesse desenvolvimento.

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Parcerias e transferência de tecnologia

O INCA também mantém parceria com o Children’s Hospital da Philadelphia (CHOP), visando capacitar equipes e compartilhar conhecimentos para tratar pacientes pediátricos com Leucemia Linfoblástica Aguda refratária ou recidivada. A primeira etapa pretende atender até 20 crianças ao longo de três anos. Em outra frente, a Fiocruz colabora com a organização Caring Cross para produzir células CAR‑T e vetores lentivirais em contêineres próximos aos centros de tratamento, permitindo replicar o modelo em outras cidades.

Segundo Bonamino, a meta é iniciar os tratamentos piloto entre final de 2026 e início de 2027, mostrando que o Brasil possui capacidade científica para democratizar a terapia CAR‑T, ampliando o acesso de pacientes no SUS.

Olhar Digital

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