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A floresta amazônica é tão grande que até mesmo os próprios biólogos desconhecem uma quantidade significativa de seres vivos. Segundo uma pesquisa, um dos grupos de espécies mais desconhecidas é o de insetos decompositores, como as moscas sarcosaprófagas. O estudo foi publicado na Proceedings of the Royal Society B e pode ser lido clicando aqui.
Pesquisadores analisaram milhares de registros de ocorrência desses insetos e descobriram que ainda existem áreas com poucos ou quase nenhum apontamento. As regiões mais estudadas ficam próximas a rios, estradas e centros de pesquisa, enquanto vastas áreas remotas permanecem praticamente desconhecidas para a ciência, segundo informações do portal The Conversation.
Insetos discretos, mas fundamentais para os ecossistemas

As moscas sarcosaprófagas utilizam matéria orgânica animal em decomposição e desempenham papel importante na reciclagem de nutrientes nos ecossistemas. Além disso, esses insetos têm relevância para a saúde pública e para a ciência forense, já que auxiliam a compreender processos de decomposição.
Apesar da importância ecológica, o conhecimento sobre esses organismos ainda é limitado, principalmente na Amazônia. Isso ocorre porque boa parte do grupo de decompositores da floresta é formada majoritariamente por espécies pequenas e pouco visíveis.
Entre os grupos analisados no estudo estão moscas das famílias Calliphoridae, Mesembrinellidae e Sarcophagidae. No total, os cientistas compilaram mais de 8 mil registros de ocorrência dessas espécies na Amazônia brasileira para mapear onde o conhecimento científico está concentrado.
Acessibilidade influencia onde a ciência acontece

Para entender os padrões de coleta de dados, os cientistas compararam registros reais com um modelo matemático que simula uma Amazônia idealmente amostrada. Nesse cenário hipotético, todas as áreas da floresta teriam a mesma probabilidade de serem estudadas.
Regiões mais acessíveis concentram a maioria dos dados disponíveis, enquanto áreas isoladas apresentam baixa probabilidade de entrar nos registros. O estudo estima que cerca de 40% da floresta tenha menos de 10% de probabilidade de observações sobre esses insetos.
Muitas das áreas mais preservadas da Amazônia permanecem pouco estudadas, enquanto regiões já impactadas pela atividade humana acabam sendo mais bem documentadas.
Territórios quilombolas e regiões afastadas também aparecem entre os locais com menor esforço de pesquisa. Isso aumenta o risco de perda de espécies antes mesmo que sejam conhecidas ou descritas pela ciência, comprometendo estratégias de conservação.
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Redes de pesquisa ajudam a ampliar o conhecimento
Os autores destacam que reduzir essas lacunas exige novas estratégias científicas. Expedições direcionadas a áreas remotas e colaborações com comunidades locais podem ampliar significativamente o conhecimento sobre a biodiversidade da floresta.
Redes de pesquisa também desempenham papel central nesse processo, ao integrar dados, instituições e pesquisadores. Iniciativas como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Síntese da Biodiversidade Amazônica, o CAPACREAM e a Rede Amazônia Oriental buscam justamente fortalecer a cooperação científica e superar desafios logísticos da região.









