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Tudo sobre Inteligência Artificial
*Por Nelson Leoni, CEO e Cofundador da WideLabs
Toda grande transformação tecnológica carrega, em algum momento, o rótulo de exagero. Com a inteligência artificial, não tem sido diferente. O crescimento acelerado da IA generativa reacendeu comparações com bolhas do passado, como a da internet no início dos anos 2000. No entanto, quando se olha para o que está sendo construído na prática e não apenas para o entusiasmo do momento, fica evidente que a IA não cresce sustentada por promessas vazias, mas por bases concretas que a colocam como uma das tecnologias mais estratégicas dos próximos anos.
Ao contrário de tecnologias que surgem restritas a um nicho, a inteligência artificial opera como uma infraestrutura transversal. Ela não se limita à criação de novos produtos, e sim, transforma a forma como processos funcionam, como setores se organizam e como decisões são tomadas. Por isso, sua adoção segue avançando mesmo em cenários de incerteza econômica. A IA já faz parte da forma como as empresas operam e tomam decisões e, mais do que isso, de como dominam seus processos e dados internos, viabilizando aplicações que reduzem custos e aumentam a eficiência operacional.
Na prática, esse movimento já é perceptível em setores como indústria, varejo, serviços financeiros e tecnologia, onde modelos de inteligência artificial são utilizados para prever demanda, otimizar cadeias de suprimentos, reduzir fraudes e apoiar decisões estratégicas em tempo real. Esses usos demonstram que a IA já ultrapassou a fase experimental e passou a gerar valor mensurável no cotidiano das organizações.
Um dos sinais mais claros de que a IA não é uma bolha aparece no padrão dos investimentos mais recentes. De acordo com análises da PwC Brasil, a adoção estruturada da inteligência artificial tem potencial para adicionar até 13 pontos percentuais ao PIB brasileiro até 2035, impulsionada principalmente por ganhos de produtividade, novos modelos de negócio e mudanças profundas em diversos setores da economia. Esse impacto representa não apenas crescimento econômico, mas uma oportunidade concreta de aumento da competitividade das empresas brasileiras e de modernização estrutural do país.
Outro ponto que reforça o caráter estrutural da IA é a forma como seu papel evoluiu dentro das organizações. Se, no início, a tecnologia foi adotada para automatizar tarefas repetitivas, hoje ela influencia diretamente decisões estratégicas, planejamento de longo prazo e análise de riscos. Pesquisas mostram que a adoção da IA evoluiu de iniciativas pontuais e está entrando na agenda de líderes como elemento de decisão: um levantamento da McKinsey indica que cerca de 72% das empresas no mundo já utilizam algum tipo de inteligência artificial, e essa adoção já está sendo usada para transformar grandes volumes de dados em insights estratégicos e suporte à tomada de decisões mais rápidas e precisas.
É importante reconhecer que essa evolução não ocorre sem desafios. Questões como qualidade e governança de dados, capacitação de profissionais, integração com sistemas legados e definição de critérios éticos ainda representam obstáculos relevantes. O ponto é que esses desafios não freiam a tecnologia. Eles fazem parte do amadurecimento natural de algo que já se tornou indispensável e que, cada vez mais, exige execução estruturada, e não iniciativas isoladas.
Esse movimento deixa clara uma mudança de patamar. A inteligência artificial passou a fazer parte dos processos centrais de decisão nas empresas. À medida que essa integração avança, a tecnologia deixa de ser vista como teste ou aposta pontual e passa a integrar a estrutura do negócio, influenciando prioridades, investimentos e estratégias de crescimento.
É esse nível de incorporação que ajuda a afastar a ideia de bolha. Tecnologias movidas apenas por entusiasmo tendem a perder força quando o interesse diminui. A inteligência artificial, por outro lado, segue avançando porque está ligada a ganhos práticos e recorrentes. Ela se mantém relevante não por expectativa, mas por resolver problemas reais de eficiência, escala e complexidade, inclusive em cenários econômicos mais desafiadores.
Assim, a inteligência artificial se consolida menos como uma promessa distante e mais como uma realidade estratégica. Não se trata de um ciclo passageiro de inovação, mas de uma transformação estrutural que redefine como organizações competem, tomam decisões e geram valor. Para as empresas e seus líderes, o desafio agora não é mais discutir se a IA é relevante, mas como incorporá-la de forma estruturada, estratégica e responsável à governança, aos processos e à tomada de decisão.
A discussão já não é mais se a IA é relevante. A questão agora é: sua empresa está usando inteligência artificial como ferramenta pontual ou como alicerce estratégico?











