O que é e qual é o tamanho do Estreito de Ormuz?

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O Estreito de Ormuz virou alvo de disputa na guerra no Oriente Médio. Em resposta à ofensiva militar conjunta de Israel e Estados Unidos, ocorrida no final de fevereiro, o governo do Irã ameaçou atacar embarcações que tentassem cruzar a região. A guinada colocou em alerta quem precisa cruzar a principal via de escoamento de energia do mundo.

Conhecido como o maior “gargalo” energético do mundo, o estreito é a única saída marítima para o petróleo de grandes produtores do Oriente Médio. Por esse canal, passam diariamente 20 milhões de barris de óleo bruto, o que torna qualquer sinal de interrupção um gatilho para a instabilidade dos preços internacionais.

O Estreito de Ormuz funciona como a principal artéria do mercado energético global

Geograficamente, o estreito é um corredor que separa o Irã, ao norte, de Omã, ao sul. Ele funciona como a única porta de saída do Golfo Pérsico para o mar aberto (o Golfo de Omã e o Oceano Índico). Países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos dependem exclusivamente dessa passagem para enviar seus combustíveis ao restante do mundo por via marítima.

O peso econômico dessa região é colossal: cerca de 21% de todo o petróleo consumido no planeta e mais de 25% do gás natural liquefeito (GNL) transitam por ali. Segundo dados da agência DW e da CNN, o fluxo é voltado majoritariamente para o Oriente. Cerca de 82% da carga tem como destino consumidores asiáticos. China, Índia, Japão e Coreia do Sul concentram 70% desse volume total de exportação.

Apesar de ter 33 quilômetros de largura em seu ponto mais crítico, a área realmente navegável é muito menor. Devido à profundidade necessária para os grandes navios (o chamado calado), os petroleiros precisam se espremer em dois canais de apenas três quilômetros de largura cada (um para entrada e outro para saída). Entre essas “pistas” marítimas, há uma zona de separação para evitar colisões, o que torna a via geograficamente vulnerável a bloqueios militares.

Ilustração de barril de petróleo sobre mapa do mundo com destaque para Estreito de Ormuz
20 milhões de barris de óleo bruto passam pelo Estreito de Ormuz diariamente (Imagem: Tomas Ragina/Shutterstock)

O uso do estreito como peça de pressão não é inédito. Na verdade, é uma estratégia recorrente de Teerã. O Irã já utilizou ameaças similares durante a Guerra Irã-Iraque (1980-1988) e em crises diplomáticas nos anos de 2012 e 2024. Contudo, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), que coordena a Quinta Frota no Bahrein, monitora o tráfego em tempo real e informou que, apesar da retórica agressiva, um bloqueio total efetivo ainda não foi confirmado.

A tensão, porém, já gera consequências práticas fora da zona principal do estreito. No último domingo (08), um barco-drone carregado de explosivos atingiu um petroleiro no Golfo de Omã. Um tripulante morreu. Além disso, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido alertou para interferências eletrônicas que desorientam os sistemas de GPS das embarcações. Isso aumenta o risco de acidentes e atrasos na entrada do canal.

Outro ponto importante: a logística terrestre atual não consegue substituir o transporte por mar. Embora a Arábia Saudita possua um oleoduto para o Mar Vermelho com capacidade de cinco milhões de barris por dia, e os Emirados Árabes operem uma linha até o porto de Fujairah, essas rotas alternativas são limitadas. Elas conseguem absorver apenas uma pequena fração da produção regional. Isso deixa o abastecimento global dependente da estabilidade no Estreito de Ormuz.

(Essa matéria também usou informações de CNN Brasil e Reuters.)

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