Oracle: receita cresce 22% e anima acionistas; nuvem é destaque

Publicidade

Siga o Olhar Digital no Google Discover

A Oracle divulgou, nesta terça-feira (10), seus resultados financeiros do quarto trimestre de 2025. Assim como a maioria das empresas do setor, a receita total da companhia subiu 22% ante o mesmo trimestre do ano passado, com a divisão de nuvem sendo o grande destaque.

Os resultados animaram os acionistas, com as ações da Oracle subindo 8% durante as negociações estendidas. Os resultados trimestrais da empresa estão acima das projeções de Wall Street. A previsão de receita para o ano fiscal de 2027 também subiu.

A companhia de software informou que agora espera alcançar US$ 90 bilhões (R$ 464,3 bilhões) em receita no ano fiscal de 2027, superando a estimativa de US$ 86,6 bilhões (R$ 446,8 bilhões) apontada por analistas consultados pela LSEG.

Para o quarto trimestre fiscal, a Oracle projeta lucro ajustado por ação entre US$ 1,92 e US$ 1,96 (R$ 9,91 e R$ 10,11), com crescimento de receita entre 19% e 20%. O consenso da LSEG indicava lucro de US$ 1,70 por ação e crescimento de receita de 20%, segundo a CNBC.

Resultados da Oracle acima das expectativas

No terceiro trimestre fiscal, encerrado em 28 de fevereiro, a empresa também superou as projeções do mercado. Veja os números em comparação com o consenso da LSEG:

  • Lucro por ação: US$ 1,79 (R$ 9,24) ajustado (esperado: US$ 1,70/R$ 8,77);
  • Receita: US$ 17,1 bilhões (R$ 88,6 bilhões) (esperado: US$ 16,9 bilhões/R$ 87,1 bilhões).

O lucro líquido chegou a US$ 3,7 bilhões (R$ 19,1 bilhões), ou US$ 1,27 (R$ 6,55) por ação, acima dos US$ 2,9 bilhões (R$ 15,1 bilhões), ou US$ 1,02 (R$ 5,26) por ação, registrados no mesmo trimestre do ano anterior. O lucro ajustado por ação exclui despesas com compensação baseada em ações.

Avanço acelerado na computação em nuvem

  • A divisão de nuvem continuou sendo um dos principais motores de crescimento da empresa;
  • A Oracle reportou US$ 8,9 bilhões (R$ 15,1 bilhões) em receita total de nuvem, aumento de 44% e acima do consenso de US$ 8,8 bilhões (R$ 45,6 bilhões) entre analistas consultados pela StreetAccount;
  • Dentro desse segmento, a infraestrutura de nuvem gerou US$ 4,9 bilhões (R$ 25,2 bilhões), crescimento anual de 84% — ritmo superior ao aumento de 68% registrado no trimestre anterior;
  • A empresa destacou contratos e negócios na área de nuvem com organizações, como Air France-KLM, Argonne National Laboratory, Lockheed Martin e SoftBank.

Apesar do desempenho financeiro acima das expectativas, os papéis da Oracle sofreram forte queda nos últimos meses. As ações já recuaram mais de 50% desde o pico registrado em setembro, acompanhando outras empresas de software em meio a preocupações mais amplas com o mercado de inteligência artificial (IA) e, especificamente, com o alto nível de endividamento da companhia para financiar sua expansão em IA.

Até o fechamento de terça-feira, os papéis acumulavam queda de 23% em 2026, enquanto o índice **S&P 500 recuava menos de 1% no mesmo período.

Fortalecimento

A Oracle tem conquistado grandes contratos para fornecer infraestrutura de nuvem a empresas de IA, incluindo a OpenAI, mas possui menos caixa disponível que concorrentes maiores, como Amazon e Microsoft.

Além disso, alugar chips gráficos da Nvidia gera margens menores do que a venda de licenças de software tradicionais. Nos últimos 12 meses, a Oracle registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 13,1 bilhões (R$ 68 bilhões).

Durante o trimestre, a empresa anunciou planos para levantar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões (R$ 232,1 bilhões/R$ 257,9 bilhões) no ano fiscal para ampliar a capacidade de sua infraestrutura de nuvem.

Segundo a companhia, os resultados acima das previsões podem ajudar a tranquilizar investidores preocupados, já que os números e a carteira de pedidos indicam forte demanda contínua por infraestrutura para IA.

As obrigações de desempenho restantes (RPO, na sigla em inglês) — métrica que mede receitas futuras contratadas — mais que quadruplicaram, passando de um ano para outro para US$ 553 bilhões (R$ 2,8 trilhões), levemente abaixo da estimativa de US$ 556 bilhões (R$ 2,8 trilhões) da StreetAccount.

Em comunicado, a empresa explicou que “a maior parte do aumento no RPO no terceiro trimestre está relacionada a contratos de IA de grande escala, nos quais a Oracle não prevê a necessidade de captar recursos adicionais para dar suporte a esses contratos, visto que a maior parte dos equipamentos necessários é financiada antecipadamente por meio de pagamentos dos clientes, permitindo que a Oracle compre as GPUs, ou o cliente compra as GPUs e as fornece à Oracle”.

A Oracle também comentou um projeto de data center em Abilene, Texas (EUA), desenvolvido em parceria com a Crusoe para atender à OpenAI. Segundo uma publicação da empresa no X no domingo (8), dois prédios do complexo já estão totalmente operacionais, enquanto o restante do campus segue dentro do cronograma.

A declaração veio após uma reportagem da Bloomberg afirmar que Oracle e OpenAI teriam abandonado planos de expandir o local. A empresa afirmou que os relatos da mídia sobre Abilene estavam incorretos.

Novo financiamento e reestruturação

No fim de fevereiro, a Oracle anunciou uma rodada de financiamento de US$ 110 bilhões (R$ 567,5 bilhões), com apoio de empresas, como Amazon e Nvidia, entre outras.

No comunicado divulgado nesta terça-feira (10), a companhia afirmou que “alguns dos maiores consumidores de capacidade de IA na nuvem fortaleceram recentemente suas posições financeiras de forma substancial“.

A empresa também comentou mudanças internas após relatos da Bloomberg de que estaria planejando demissões. Segundo a Oracle, a reorganização está ligada ao avanço da IA na programação. “Os modelos de IA para geração de código de computador tornaram-se tão eficientes que temos reestruturado nossas equipes de desenvolvimento de produtos em grupos menores, mais ágeis e produtivos”, disse a empresa.

“Essa nova tecnologia de geração de código por IA está nos permitindo criar mais software em menos tempo e com menos pessoas. A Oracle agora está desenvolvendo mais aplicativos SaaS [Software as a Service] para mais setores a um custo menor.”

Matéria em atualização

Olhar Digital

Compartilhe essa Notícia:

publicidade

publicidade