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Usuários de smartphones, empresas marítimas e até pilotos têm enfrentado falhas em sistemas de navegação por GPS no Oriente Médio, em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O problema tem sido observado em diversos países da região e está relacionado ao uso crescente de técnicas conhecidas como GPS jamming e GPS spoofing.
Monitores de sistemas de posicionamento global registraram erros de localização e interrupções em países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Omã, Catar, Kuwait, Bahrein e Líbano. Especialistas afirmam que esse tipo de interferência tende a se intensificar em períodos de tensão militar, afetando não apenas operações estratégicas, mas também usuários comuns que dependem de aplicativos de navegação.

O que são GPS jamming e GPS spoofing?
O GPS jamming consiste na emissão de sinais capazes de bloquear ou tornar inacessível o funcionamento de sistemas de navegação baseados em GPS. Já o GPS spoofing envolve o envio de sinais falsos que fazem dispositivos acreditarem que estão em um local diferente do real.
Essas técnicas podem ser usadas por forças militares ou empresas do setor marítimo para ocultar a localização de equipamentos ou cargas sensíveis. Também podem servir para enganar drones ou esconder posições de edifícios estratégicos.
Embora os objetivos frequentemente estejam ligados a operações militares, os efeitos acabam atingindo usuários comuns, que podem ver aplicativos de mapas indicarem posições incorretas ou perderem o sinal de navegação.

Usuários relatam falhas nos sistemas GPS na região
Relatos publicados em redes sociais indicam que falhas no GPS têm afetado a navegação em diferentes partes do Oriente Médio. Usuários afirmam que aplicativos de mapas passaram a mostrar posições incorretas ou trajetos inconsistentes, um efeito que pode estar ligado às técnicas de interferência conhecidas como jamming e spoofing.
Em publicações feitas no X (antigo Twitter), pessoas que vivem ou trabalham na região compartilharam exemplos dessas falhas. Em muitos casos, os dispositivos indicam localizações distantes do ponto real, mesmo quando o usuário não se deslocou.
Em uma das postagens, uma usuária mostra que o celular passou a indicar um local completamente diferente da posição real, como se estivesse no meio do oceano. Esse tipo de erro costuma ocorrer quando o dispositivo recebe dados falsos de localização, fazendo com que o sistema calcule uma posição incorreta.
i am in middle of ocean again
One thing this conflict has taught me is that I am EXTREMELY dependant on maps and I would never get anywhere ever without them 🥲 pic.twitter.com/kahTXde0Qo
— komal 🤸🏽♀️ (@komal_42) March 12, 2026
Outro relato publicado por um perfil ligado ao setor de aviação aponta que os problemas de GPS também foram percebidos durante operações aéreas, com sistemas apresentando leituras inconsistentes de posição. Interferências desse tipo podem afetar diferentes equipamentos que dependem do sinal de satélite para navegação.
What a GPS spoofing happening in middle east!! pic.twitter.com/cCHwCKwrVn
— WingX Aviation (@wingXaviation) March 6, 2026
Há ainda publicações mostrando aplicativos de mapas exibindo trajetos ou localizações improváveis. No caso abaixo, o serviço de delivery de comida em Dubai mostra como se o entregador estivesse indo para o Estreito de Ormuz.
GPS spoofing isn’t a problem unique to @flightradar24 et al.. Food delivery apps in Dubai are also struggling! Hubert looks to be heading for the Strait of Hormuz! pic.twitter.com/Vgn3VbsLs3
— Luke Dudley (@LukeDudley1) March 11, 2026
Impactos também na aviação
Segundo Jack Hidary, diretor-executivo da empresa de computação quântica e cibersegurança SandboxAQ, o problema tende a se ampliar. Ele comentou os riscos do GPS spoofing durante o Fórum Econômico Mundial, em janeiro. “A ameaça está ficando cada vez maior”, afirmou Hidary.
De acordo com ele, pilotos têm relatado que interferências no GPS também podem provocar falhas em outros sistemas das aeronaves, ampliando os riscos operacionais.
Hidary explica que os fatores que tornaram o GPS amplamente utilizado em diversos dispositivos são os mesmos que aumentam sua vulnerabilidade. A empresa desenvolveu uma tecnologia chamada AQNav como alternativa ao sistema tradicional.
O sistema combina um sensor quântico capaz de captar o campo magnético da Terra, uma unidade de processamento gráfico (GPU) e software de inteligência artificial (IA) para calcular a posição sem depender do sinal de satélites.
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Sistema amplamente utilizado continua vulnerável
Apesar dessas iniciativas, os serviços convencionais de GPS continuam suscetíveis a interferências. Uma simples busca na internet revela dispositivos capazes de bloquear sinais de GPS, com preços que variam de US$ 130 a US$ 2.000.
A preocupação também chegou ao setor industrial. No fim do ano passado, a GPS Innovation Alliance (GPSIA) pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a adoção de políticas para reforçar a proteção da tecnologia.
Segundo Lisa Dyer, diretora executiva da organização, o GPS sustenta uma parte essencial da infraestrutura global. “O GPS é uma das inovações mais importantes da era moderna, sustentando a segurança nacional, infraestruturas críticas como transporte e o comércio.”
A entidade defende que o governo norte-americano priorize o lançamento de satélites GPS mais modernos e a atualização dos sistemas atuais com tecnologias mais avançadas de proteção contra jamming e spoofing.









