China aprova primeiro implante cerebral para uso comercial

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A China aprovou o primeiro implante cerebral invasivo para uso comercial no país, em um avanço regulatório importante para empresas locais que atuam no campo das interfaces cérebro-computador. A autorização foi concedida nesta sexta-feira (13) pela National Medical Products Administration, agência reguladora de medicamentos da China.

O aval foi dado ao dispositivo desenvolvido pela Neuracle Technology (Shanghai) Co., voltado para pacientes adultos parcialmente paralisados devido a lesões na medula espinhal. Em testes clínicos, o sistema ajudou usuários a melhorar a capacidade de segurar e agarrar objetos com as mãos.

Implante cerebral recebeu autorização para uso comercial na China (Imagem: JLStock / Shutterstock.com)

Dispositivo combina sensores cerebrais e luva robótica

O produto aprovado consiste em um sistema completo de interface cérebro-computador. Ele inclui sensores implantados no cérebro, uma luva robótica, ferramentas cirúrgicas, um algoritmo de decodificação de sinais cerebrais, além de softwares de testes médicos e de gestão clínica.

Relatos indicam que o sistema foi testado em 36 pacientes durante os ensaios clínicos. O objetivo é permitir que pessoas com perda parcial de mobilidade consigam controlar dispositivos externos a partir da atividade cerebral.

Apesar do avanço, a aplicação ainda é relativamente limitada. O dispositivo foi autorizado apenas para pacientes que ainda mantêm alguma função no braço superior. Isso o diferencia de implantes mais avançados que já demonstraram potencial para permitir que pessoas totalmente paralisadas naveguem na internet, enviem e-mails ou joguem videogames.

Limitações estão ligadas ao design do implante

Parte dessa restrição está relacionada ao projeto do implante da Neuracle. O dispositivo possui menos canais de detecção de sinais cerebrais em comparação com outros sistemas do setor. Além disso, o sensor é implantado fora da membrana mais externa do cérebro, enquanto alguns dispositivos concorrentes utilizam implantes posicionados mais próximos do tecido cerebral.

Apoio do governo impulsiona setor na China

A aprovação ocorre em um contexto de crescimento das empresas chinesas que desenvolvem tecnologias capazes de permitir o controle de computadores ou dispositivos eletrônicos apenas com o pensamento.

Essas iniciativas contam com forte apoio do governo chinês, que classificou as interfaces cérebro-computador como uma das seis indústrias estratégicas do futuro em seu mais recente plano quinquenal. As autoridades também definiram metas para criar empresas líderes globais até o fim da década, além de prometer acelerar análises regulatórias e estabelecer diretrizes de reembolso antes mesmo de os produtos chegarem ao mercado.

Após o anúncio, empresas ligadas ao setor registraram valorização na bolsa de Hong Kong. Sanbo Hospital Management Group Ltd., Innovation Medical Management Co. e Nanjing Panda Electronics Co. tiveram alta superior a 10%.

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Investimentos globais em chips cerebrais aumentam

O interesse por tecnologias de interfaces cérebro-computador também cresce em outras partes do mundo. Nesta semana, a Shanghai StairMed Technology Co. concluiu uma rodada de financiamento de 500 milhões de yuans (US$ 72,6 milhões) liderada pela Alibaba Group Holding Ltd.. A empresa planeja implantar seu chip em mais 40 pacientes ainda neste ano.

Outra companhia do setor, a Gestala Chengdu Technology Co., que trabalha em abordagem semelhante à da Merge Labs, de Sam Altman, anunciou uma rodada inicial de 150 milhões de yuans. Nos Estados Unidos, a Science Corp. arrecadou recentemente US$ 230 milhões para comercializar um implante voltado ao tratamento da cegueira e desenvolver novos dispositivos cerebrais.

Olhar Digital

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