Mais de 600 pontes verdes ajudam animais a atravessar rodovias com total segurança

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A Holanda é um dos países mais densamente urbanizados do mundo, com uma das malhas viárias mais movimentadas da Europa. Contudo, em vez de deixar que estradas e ferrovias isolassem e fragmentassem os habitats naturais, os holandeses encontraram uma solução elegante e eficaz: construir ecodutos, pontes cobertas de vegetação que permitem que animais selvagens atravessem rodovias com total segurança. Além disso, com mais de 600 dessas estruturas espalhadas pelo território, a Holanda consolidou-se como referência mundial na integração entre infraestrutura humana e conservação da biodiversidade.

O que são os ecodutos e como eles funcionam na Holanda?

Estudo analisa o programa holandês de desfragmentação de habitats e conclui que ecodutos e túneis de fauna aumentam a conectividade ecológica e o valor ambiental das áreas naturais. Portanto, ao percorrer essas estruturas, os animais não percebem que estão atravessando uma via de tráfego intenso, pois toda a sinalização que seguem é a vegetação ao redor.

Além disso, o projeto de cada ecoduto considera o clima local, o tipo de flora nativa e o porte dos animais que habitam a região. Contudo, o princípio central é sempre o mesmo: restaurar a conectividade entre habitats fragmentados pela expansão humana, permitindo que populações animais se movimentem livremente para se alimentar, reproduzir e manter a diversidade genética necessária para sua sobrevivência.

Na Holanda, animais atravessam rodovias por pontes verdes feitas para imitar a natureza – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Quais os principais benefícios dos ecodutos para animais, humanos e meio ambiente?

  • Segurança para a fauna silvestre: animais como texugos, raposas, veados, lobos e alces atravessam rodovias sem risco de atropelamento, protegendo espécies ameaçadas que dependem de múltiplos territórios para sobreviver.
  • Redução de acidentes para motoristas: no Arizona, nos Estados Unidos, a construção de ecodutos reduziu em 90% os acidentes envolvendo animais nas rodovias.
  • Conectividade genética entre populações: ao garantir a movimentação livre entre habitats fragmentados, os ecodutos permitem o intercâmbio genético entre populações isoladas.
  • Redução das emissões de carbono: a vegetação densa das pontes capta CO2 do ar, transformando infraestruturas viárias em corredores ativos de absorção de carbono no coração das cidades e rodovias.
  • Bem-estar humano: estudos indicam que motoristas que passam sob ecodutos com vegetação densa reportam redução do estresse.
  • Preservação de espécies ameaçadas: na Holanda, as passagens verdes contribuem diretamente para manter populações de mamíferos que estariam em risco de fragmentação genética sem esses corredores ecológicos.
Holanda construiu centenas de pontes verdes para que animais atravessem rodovias sem risco – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

Qual é o maior ecoduto do mundo e onde ele está localizado?

O maior ecoduto do mundo está na Holanda e chama-se Natuurbrug Zanderij Crailoo. Além disso, trata-se de uma obra de engenharia ambiental extraordinária: com mais de 800 metros de comprimento e mais de 50 metros de largura, a estrutura se estende sobre uma autoestrada, uma linha ferroviária, um rio e um complexo esportivo, conectando dois fragmentos de floresta que foram separados décadas atrás pela expansão urbana.

Portanto, o Natuurbrug Zanderij Crailoo não é apenas uma passagem para animais, mas um corredor ecológico completo, com árvores, arbustos, vegetação rasteira e condições de vida que permitem que insetos, pássaros e mamíferos habitem a própria estrutura. Contudo, o projeto levou anos de planejamento colaborativo entre engenheiros, ecologistas, paisagistas e gestores de infraestrutura, tornando-se referência global em design ambiental integrado.

País Quantidade de ecodutos Destaque
Holanda +600 Maior ecoduto do mundo: Natuurbrug Zanderij Crailoo (800m)
Canadá (Banff) 41 +200 mil travessias de 11 espécies de grandes mamíferos
Arizona, EUA +20 Redução de 90% nos acidentes com animais nas rodovias
Brasil Pouquíssimos 15 animais por segundo morrem atropelados nas rodovias brasileiras

O Brasil precisa de ecodutos e qual é a situação atual do país?

A situação brasileira é preocupante: estimativas apontam que aproximadamente 15 animais por segundo morrem atropelados nas rodovias do país, totalizando cerca de 475 milhões de animais de grande e médio porte por ano. Além disso, entre as vítimas mais frequentes estão onças, lobos-guará, antas, capivaras, tamanduás e macacos, muitos deles em risco de extinção ou com populações já fragilizadas pela perda de habitat.

Portanto, a construção sistemática de ecodutos no Brasil não é apenas desejável, mas urgente do ponto de vista da conservação da biodiversidade mais rica do planeta. Contudo, há avanços pontuais: na rodovia SP-225, câmeras instaladas em 10 túneis registraram 21 espécies atravessando as passagens, com mais de 800 travessias em dois anos, o que demonstra que os animais brasileiros adotam rapidamente esses corredores quando disponíveis.

Os ecodutos da Holanda inspiram um novo modelo de urbanismo para o futuro?

Sim, e o exemplo holandês vai muito além das pontes verdes para animais. Além disso, quando combinados com os telhados verdes nos pontos de ônibus, com a cultura da bicicleta e com políticas ambientais integradas ao planejamento urbano, os ecodutos revelam uma visão de cidade em que a natureza não é um obstáculo ao desenvolvimento, mas uma parceira indispensável na construção de espaços mais habitáveis, resilientes e saudáveis para todos.

Portanto, a grande lição da Holanda não está em nenhuma estrutura isolada, mas na mentalidade que une engenharia, ecologia e política pública em torno de um objetivo comum: garantir que humanos e animais possam compartilhar o mesmo território sem que uns precisem pagar com a vida pela presença dos outros. Contudo, para que outros países sigam esse caminho, é preciso antes de tudo reconhecer que investir em ecodutos não é gasto ambiental, mas prevenção inteligente de perdas econômicas, biológicas e humanas.

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