Explosão de foguete: acidente em alcântara tem causa apontada

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A investigação sobre o acidente que encerrou prematuramente o primeiro lançamento comercial do foguete sul-coreano HANBIT-Nano, em dezembro de 2025, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), foi concluída. Em anúncio feito na terça-feira (17), a INNOSPACE e o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) da Força Aérea Brasileira revelaram a causa da anomalia: um vazamento de gases de combustão na seção frontal da câmara do primeiro estágio, provocado por falhas na remontagem do sistema após a chegada ao Brasil.

A operação, batizada de Operação Spaceward, terminou de forma abrupta aos 33 segundos de voo. A partir desse momento, o veículo se rompeu em múltiplos fragmentos. A investigação conjunta, que durou meses, reconstituiu a sequência completa do lançamento por meio da análise de dados de telemetria, rastreamento, registros operacionais e imagens de vídeo. Mais de 300 fragmentos recuperados no local de lançamento foram examinados em laboratório.

Foguete na base de lançamento
Foguete HANBIT-Nano, da Innospace, posicionado na plataforma antes do lançamento em 22 de dezembro de 2025 (Imagem: Reprodução/X/Innospace)

Problemas na junção de componetes do foguete

De acordo com as conclusões técnicas, o foguete operou normalmente na fase inicial, com todos os dados sendo transmitidos corretamente após a decolagem. O problema surgiu quando um vazamento de gases de combustão se desenvolveu na junção entre componentes da câmara de combustão do foguete híbrido do primeiro estágio. A pressão interna levou à ruptura da estrutura e à consequente desintegração do veículo.

A análise determinou que a causa raiz do vazamento foi “compressão insuficiente e vedação inadequada dos componentes”, resultantes de deformações ocorridas durante o processo de remontagem do sistema no Brasil. A substituição de um plugue frontal da câmara na fase de preparação para o lançamento não foi executada com a precisão necessária, comprometendo a integridade da vedação.

Próximos passos

Com base nas conclusões, a INNOSPACE anunciou um pacote de medidas corretivas. A empresa pretende reforçar os processos de montagem e os procedimentos de gestão de qualidade, além de implementar melhorias de projeto e atualizações em componentes críticos. Procedimentos adicionais de verificação funcional também serão incorporados ao protocolo pré-lançamento.

“Por meio desta investigação, conseguimos revisar de forma abrangente os dados de voo e os materiais coletados, obtendo uma compreensão mais clara da sequência de lançamento”, afirmou Soojong Kim, CEO da INNOSPACE. “Esse processo gerou ativos técnicos valiosos que contribuirão para o avanço das tecnologias de veículos lançadores.”

Drone flagra momento em que o foguete HANBIT-Nano, da Innospace, explode ao despencar no solo após decolar da Base de Alcântara, no Maranhão, Brasil. Crédito: Pedro Pallotta/YouTube

O executivo destacou ainda a convergência entre as conclusões da empresa e as do CENIPA, sem divergências quanto às medidas a serem adotadas. A cooperação técnica e a transparência no compartilhamento de informações foram fundamentais para a solidez do resultado.

O Coronel Alexander Coelho Simão, investigador responsável do CENIPA, reforçou a importância da parceria. “Ao longo do processo, houve estreita cooperação e alto nível de transparência entre INNOSPACE, CENIPA e KASA”, declarou. “O compartilhamento de informações e a análise conjunta de evidências permitiram alcançar uma conclusão tecnicamente consistente.”

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O CENIPA classificou oficialmente o ocorrido como “incidente”, e não “acidente”, seguindo protocolos internacionais de investigação de ocorrências aeroespaciais. A distinção é relevante para os trâmites legais e para o histórico operacional do veículo.

A INNOSPACE já definiu que realizará um novo lançamento no Brasil ainda neste ano, utilizando uma janela previamente assegurada para o terceiro trimestre de 2026. A data exata dependerá da conclusão das medidas corretivas e da obtenção da autorização de lançamento pela agência espacial sul-coreana (KASA). O HANBIT-Nano, que deveria ser o primeiro foguete comercial a decolar de Alcântara, terá uma segunda chance para provar seu valor.

Olhar Digital

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