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A Meta está reformulando sua estratégia de retenção de talentos em meio à corrida global por inteligência artificial. A empresa criou um novo programa de remuneração em ações que pode render ganhos de centenas de milhões de dólares a executivos de alta escalação. Para isso, certas metas de crescimento devem ser alcançadas em um curto período de tempo.
O plano, detalhado em documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC), prevê a concessão de opções de ações a executivos. No entanto, esses valores só serão liberados com a valorização gradual da empresa:
- Para que o primeiro lote de ações seja pago, as ações da Meta precisam chegar a US$ 1.116,08. Segundo a CNBC, isso é um aumento de 88% em relação às ações desta terça-feira (24). Com esse número, a empresa chegaria a um valor de mercado de US$ 2,82 trilhões;
- O segundo viria quando a big tech chegasse a US$ 1.393,87 por ação;
- Para liberar o valor total dos incentivos, a Meta precisa chegar a US$ 3.727,12 por ação, o que resultaria em um valor de mercado de mais de US$ 9 trilhões.
A expectativa é que isso aconteça até 2031. O valor estipulado, de US$ 9 trilhões, é cerca de cinco vezes a capitalização atual da Meta, estimada em US$ 1,5 trilhão. Para se ter uma ideia, a empresa mais valiosa do mundo atualmente é a Nvidia, com valor de mercado em cerca de US$ 4,3 trilhões.
Entre os executivos contemplados estão a diretora financeira Susan Li, o diretor de tecnologia Andrew Bosworth, o diretor de produtos Chris Cox e o diretor de operações Javier Olivan. O CEO Mark Zuckerberg, apesar de liderar a companhia, não está no programa.
Segundo a própria Meta, trata-se de uma aposta de alto risco. Em nota, a companhia afirma que os executivos só serão beneficiados caso a empresa alcance um crescimento extraordinário em um período relativamente curto, de aproximadamente cinco anos.

A iniciativa ocorre em um momento de pressão competitiva no setor de IA. Apesar de ter lançado modelos próprios e investido pesado na área, a empresa enfrenta dificuldades para consolidar uma estratégia clara diante de rivais como Google, OpenAI e Anthropic.
O desempenho recente também reflete esse cenário: as ações da Meta registraram queda no último ano, ficando atrás de outras gigantes de tecnologia.
Para tentar recuperar terreno, a empresa intensificou investimentos e reestruturações internas. Em 2025, foram destinados bilhões de dólares à expansão da área de IA, incluindo um aporte de US$ 14,3 bilhões na Scale AI e a contratação de Alexandr Wang para liderar a divisão, agora chamada de Meta Superintelligence Labs. A companhia também trabalha em novos modelos de linguagem, incluindo um projeto de IA avançada com codinome Avocado.
O uso de incentivos financeiros agressivos para reter executivos e acelerar o crescimento não é exclusivo da Meta. Estratégias semelhantes vêm sendo adotadas por outras empresas do setor, como a Tesla, que aprovou um pacote bilionário para Elon Musk atrelado a metas de valorização de mercado.
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Além das opções de ações, a empresa também ampliou a concessão de unidades restritas (RSUs) para parte da liderança. Esse tipo de remuneração tem pesado nas finanças: no último ano, os custos relacionados a ações consumiram quase todo o fluxo de caixa livre da companhia, refletindo o alto preço da disputa por talentos em inteligência artificial.










