Pedra rara que “muda de cor” volta ao museu de Londres após 30 anos

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Um mineral azul que intrigou cientistas por décadas voltou a ser exibido no Natural History Museum (NHM), em Londres. Conhecido hoje como aerinita, o material chamou atenção por apresentar variações de cor dependendo da luz e do ângulo de observação, um dos motivos que dificultou sua completa identificação.

Para quem tem pressa:

  • Um raro mineral azul chamado aerinita voltou a ser exibido no Natural History Museum após cerca de 30 anos; apesar de já ser conhecido desde o século XIX, sua estrutura só foi totalmente explicada em 2004.
  • O material não muda de cor de fato, mas apresenta variações de tonalidade dependendo da luz e do ângulo de observação.
  • O estudo da amostra contribuiu para o avanço de técnicas de análise mineral e ajudou na identificação de outros minerais.

Como o minério chegou ao museu?

Museu de História Natural de Londres. Imagem: Pajor Pawel/Shutterstock

Comprado em 1980 pela geóloga Anna Grayson em uma venda no Marrocos, a pedra foi identificada pelo vendedor como lápis-lazúli. Desconfiando do tipo de pedra, Anna a entregou ao museu em 1995, para que fossem feitas análises e estudos.

Lá, a equipe do falecido especialista em mineralogia do Natural History Museum, Gordon Cressey, submeteu o minério a um raio-X de síncrotron. Esse teste dispara elétrons em uma trajetória circular a uma velocidade que se aproxima da velocidade da luz, criando feixes intensos de raios X, o que auxilia na identificação da amostra. Assim, após mais de um ano de análise, os pesquisadores a identificaram como aerinita.

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Uma estrutura complexa

Encontrada pela primeira vez em 1876, a aerinita (do grego “céu azul”) é um silicato raro. Suas propriedades ópticas vêm da forma como a luz interage com os átomos de ferro em sua estrutura, fazendo com que, dependendo da iluminação e do ângulo de observação, o mineral apresente variações de tonalidade em azul. A complexidade de sua estrutura dificultou sua análise completa, que só foi concluída em 2004.

Segundo o London Post, Paul Schofield, pesquisador principal e membro da equipe que estudou as propriedades do mineral no Natural History Museum, afirmou que a descoberta auxiliou em diversos outros tipos de estudos, sinalizando a importância do material e de sua pesquisa.

Este trabalho é uma prova de como os estudos do reino mineral impulsionam os avanços tecnológicos e analíticos, que, por sua vez, auxiliam pesquisadores do mundo todo a desvendar os segredos do nosso mundo natural […] Nossa investigação sobre este mineral azul atraiu muita atenção do público e provou ser vital para o trabalho da equipe de mineralogia do Museu na classificação de outros espécimes, tanto da nossa coleção quanto novos para a ciência. É um privilégio poder agora exibir este mineral incrível e destacar o trabalho que nossa equipe está realizando para compreender a mineralogia do nosso planeta.”

— Concluiu o pesquisador

Após 30 anos, o minério retornou à Galeria de Minerais do Natural History Museum e pode ser visitado pelo público.

Olhar Digital

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