DNA revela: cachorros são nossos amigos há quase 16 mil anos

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O DNA de cachorro mais antigo já encontrado revela que esses animais acompanham os humanos entre cerca de 15.800 anos e 5.000 anos antes do que se imaginava. A descoberta foi anunciada em dois estudos publicados nesta quarta-feira (25) na revista Nature (que você lê aqui e aqui).

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Apesar de estarem presentes em lares e corações pelo mundo, a origem dos cães ainda é pouco conhecida. “É um mistério interessante”, afirmou o geneticista sueco Pontus Skoglund, do Instituto Francis Crick, no Reino Unido.

Em resumo:

  • DNA mais antigo de cães tem cerca de 15.800 anos;
  • Cães provavelmente descendem de lobos cinzentos, separação ainda incerta;
  • Crânio na Turquia revela aparência e idade do cão antigo;
  • Restos na Inglaterra mostram que cães ajudavam humanos na caça e proteção;
  • Domesticação ocorreu antes do neolítico, com forte vínculo humano-cão.
Reconstrução de uma mandíbula de cachorro de 14.300 anos da Caverna de Gough. Crédito: Tom Anders e Longleat

Cachorros vêm de dois tipos de lobos

Pesquisas sugerem que os cães descendem de dois tipos de lobos cinzentos. Mas identificar quando a separação ocorreu é difícil, pois os ossos antigos de cães e lobos são parecidos. Para avançar, cientistas sequenciaram genomas de restos arqueológicos, revelando pistas sobre a domesticação.

O DNA canino mais antigo foi encontrado em um fragmento de crânio em Pinarbasi, na atual Turquia. A cadela, com poucos meses de idade, provavelmente se parecia com um lobo pequeno e viveu há cerca de 15.800 anos, segundo Laurent Frantz, da Universidade Ludwig Maximilian de Munique. Antes disso, o registro mais antigo tinha 10.900 anos.

Reconstrução artística de Pınarbaşı há cerca de 15.800 anos, baseada em evidências de escavações arqueológicas realizadas pela Universidade de Liverpool. Crédito: Kathryn Killackey/ Museu de História Natural de Londres

Outro achado importante veio do sudoeste da Inglaterra: restos genéticos de 14.300 anos mostraram como os primeiros cães começaram a se espalhar pela Europa. Frantz afirma que o papel desses cães ainda não é totalmente claro, mas provavelmente eles ajudavam na caça ou na proteção, já que alimentá-los exigia recursos.

Mesmo que não fossem animais de estimação como hoje, os cães mantinham um vínculo próximo com os humanos. Há evidências de que filhotes eram enterrados junto a sepulturas humanas, sugerindo forte relação afetiva.

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DNA de cães e lobos foram comparados para rastrear evolução

Em outro estudo, pesquisadores compararam os genomas de 216 cães e lobos europeus, rastreando a evolução canina no continente. Há cerca de 10 mil anos, durante a revolução agrícola neolítica, agricultores do sudoeste da Ásia migraram para a Europa.

Curiosamente, a mistura genética humana não aconteceu simultaneamente com os cães. Isso mostra que caçadores-coletores já criavam cães antes da chegada dos agricultores. “Os primeiros agricultores adotaram cães desses grupos e os integraram aos seus grupos”, disse Skoglund.

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Os resultados confirmam que a domesticação canina ocorreu muito antes do neolítico. E ainda existe um “abismo genético” entre lobos e cães, mostrando que o processo de domesticação continua a revelar mistérios. A busca pelo elo perdido, portanto, ainda está em andamento.

Flavia Correia

Sobre o autor

Flavia Correia

Editor(a)

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

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