Campo magnético da Terra protege a Lua de raios cósmicos

Publicidade

O campo magnético da Terra age como um escudo natural contra partículas de alta energia vindas do espaço, conhecidas como raios cósmicos galácticos (RCGs). Essas partículas podem danificar superfícies desprotegidas, como a da Lua, que não tem atmosfera nem campo magnético próprio.

Continua após a publicidade

Estudos já mostravam que a Lua atravessa a “cauda” da magnetosfera terrestre, recebendo proteção temporária. Agora, uma nova pesquisa, publicada esta semana na revista Science Advances, indica que o satélite também pode ser parcialmente protegido em outras regiões de sua órbita, mesmo quando está fora dessa influência.

A descoberta veio dos dados do Módulo de Nêutrons e Dosimetria (LND), a bordo da sonda chinesa Chang’E-4. Os cientistas observaram uma queda de 20% na quantidade de partículas de RCG atingindo os detectores do lado oculto da Lua. Esse efeito ocorria durante a “manhã” do satélite e durava cerca de dois dias a cada ciclo lunar. Com dados de 31 ciclos, ficou claro que não se tratava de um evento isolado.

Representação artística mostra o campo magnético da Terra desviando radiação cósmica perigosa, criando uma “cavidade” protetora que reduz a exposição da Lua enquanto ela orbita nosso planeta. Crédito: Shang et al., Sci. Adv. 12, eadv1908

Leia mais:

Campo magnético terrestre é capaz de desviar raios cósmicos galácticos 

Os RCGs são formados principalmente por prótons (85%), átomos de hélio (12%) e partículas mais pesadas (1%). A redução de partículas afetou mais os prótons de baixa energia, enquanto os de alta energia também foram desviados, mas em menor intensidade. Isso acontece porque campos magnéticos não desaparecem de repente, apenas enfraquecem com a distância. 

Mesmo fora da magnetosfera, o campo da Terra ainda exerce força suficiente para alterar a trajetória de algumas partículas. Elas descrevem movimentos circulares chamados raios de giro, que dependem de massa, carga e velocidade. Prótons de baixa energia têm raios menores e, por isso, são mais sensíveis ao campo terrestre.

Para validar a descoberta, os pesquisadores realizaram simulações detalhadas do movimento das partículas de RCG em torno do campo magnético da Terra. Esses modelos confirmaram que o desvio observado nos prótons de baixa energia é consistente com os dados coletados pelo LND. A análise também comparou informações de missões anteriores, reforçando a confiabilidade dos resultados.

A imagem ilustra o espaço ao redor da Terra. As setas indicam o campo magnético do Sol atingindo o planeta, enquanto a mancha arroxeada mostra a “cauda” protetora da Terra sendo esticada pelo vento solar. As medidas na régua (RE) indicam a distância em relação ao tamanho do raio da Terra. Crédito: Shang et al., Sci. Adv. 12, eadv1908

Descobertas são importantes para futuros astronautas na Lua

Conhecer as áreas onde a radiação é naturalmente reduzida pode ajudar a proteger astronautas e equipamentos. Partículas de raios cósmicos galácticos são perigosas, podendo prejudicar a saúde humana e danificar instrumentos sensíveis, tornando qualquer estratégia de proteção essencial para missões tripuladas.

Continua após a publicidade

Os autores destacam que essas informações permitem planejar atividades lunares em momentos de menor radiação. Operações externas poderiam ser programadas para reduzir riscos. Estudos futuros, com mais dados, podem mapear melhor a extensão dessa zona protetora e oferecer estratégias de proteção não apenas para a Lua, mas também para missões próximas a outros corpos com campos magnéticos no sistema solar.

Flavia Correia

Sobre o autor

Flavia Correia

Editor(a)

Flávia Correia é jornalista do Olhar Digital, cobrindo Ciência e Espaço.

Olhar Digital

Compartilhe essa Notícia:

publicidade

publicidade