Cientistas anunciaram a descoberta de 24 novas espécies de anfípodes — pequenos crustáceos — em águas profundas da Zona de Clarion-Clipperton, no Oceano Pacífico. A região, considerada uma das menos exploradas do planeta, ainda concentra mais de 90% de suas espécies sem identificação formal, segundo os pesquisadores.
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Os resultados foram publicados na última semana em uma edição especial da ZooKeys e representam um avanço significativo na compreensão da biodiversidade marinha em ambientes extremos. A Zona de Clarion-Clipperton se estende por cerca de seis milhões de quilômetros quadrados entre o Havaí e o México.
O estudo foi liderado pelas pesquisadoras Anna Jażdżewska, da Universidade de Lodz (Polônia), e Tammy Horton, do Centro Nacional de Oceanografia. Ao todo, 16 cientistas participaram de um workshop colaborativo realizado em 2024, dedicado à identificação e descrição das espécies coletadas na região.
Detalhes da descoberta dos cientistas
- Além da catalogação das novas espécies, a equipe identificou uma nova família, denominada Mirabestiidae, e uma nova superfamília, Mirabestioidea — estruturas inéditas na árvore evolutiva desses organismos;
- O trabalho também descreveu dois novos gêneros e registrou ocorrências em profundidades nunca antes observadas para determinados grupos;
- Os anfípodes encontrados incluem tanto predadores quanto necrófagos, todos adaptados às condições extremas do fundo do mar, como alta pressão, ausência total de luz e escassez de nutrientes;
- De acordo com os pesquisadores, o fato de mais de 90% das espécies da região ainda não terem sido descritas indica um vasto potencial para novas descobertas científicas.
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A pesquisa integra a Iniciativa de Conhecimento Sustentável dos Fundos Marinhos, vinculada à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, que tem como meta descrever mil novas espécies até o fim da década. O estudo também reforça a importância da taxonomia, área científica responsável por classificar os organismos e compreender seus papéis nos ecossistemas.
A colaboração internacional foi apontada como um dos principais fatores para o avanço do projeto, reunindo instituições de diferentes países. Segundo os autores, esse modelo permitiu acelerar o ritmo das descobertas e demonstrou que iniciativas coletivas podem ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade marinha.
Outro destaque do estudo é a forma como as novas espécies foram nomeadas. Muitos dos organismos receberam nomes em homenagem a pesquisadores, familiares e até referências culturais, evidenciando o caráter humano e colaborativo da ciência.
Mantido o ritmo atual de cerca de 25 novas espécies descritas por ano, os cientistas estimam que a fauna de anfípodes da região poderá ser amplamente catalogada ao longo da próxima década. Até lá, o oceano profundo segue como uma das últimas fronteiras do conhecimento científico.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.









