Multiverso existe? Astrofísico explica limites da teoria

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A ideia de um multiverso, entendido como um conjunto hipotético de todos os universos possíveis, é frequentemente discutida na ciência. Mas determinar se ele realmente existe depende, antes de tudo, de como se define o que é “real”.

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O astrofísico Zachary Slepian, professor associado de Astronomia na Universidade da Flórida, afirma em seu artigo publicado no The Conversation que uma definição comum de “real” envolve aquilo que pode ser percebido pelos sentidos. No entanto, ele ressalta que esse critério é limitado, já que fenômenos como micro-ondas ou a própria existência dos dinossauros são conhecidos apenas por seus efeitos ou evidências indiretas.

Mecânica quântica e a noção de multiverso

Embora o multiverso não possa ser observado diretamente, Slepian aponta que a discussão pode avançar a partir da busca por evidências indiretas. Nesse contexto, a mecânica quântica — que descreve o comportamento de partículas extremamente pequenas — introduz um elemento central: a imprevisibilidade.

Segundo o pesquisador, na mecânica quântica não é possível determinar com certeza o resultado de um experimento, apenas calcular probabilidades. Ele compara esse cenário a um lançamento de dados: é possível estimar as chances de cada resultado, mas não prever qual número surgirá.

A partir dessa lógica, surge a interpretação dos “muitos mundos”, que propõe que todos os resultados possíveis de um evento realmente acontecem — cada um em um universo distinto. No exemplo do dado, cada face corresponderia a um universo diferente. Ainda assim, Slepian destaca que essa ideia é apenas uma interpretação da mecânica quântica, não uma evidência comprovada da existência do multiverso.

Ilustração abstrata mostra múltiplas esferas semelhantes a planetas conectadas por estruturas fluidas e coloridas, representando universos paralelos interligados.
Arte conceitual ilustra a interpretação dos “muitos mundos”, em que diferentes resultados possíveis dariam origem a universos distintos – (Imagem: Mike Workman / Shutterstock)

Teoria das Cordas e universos possíveis

Outro ponto abordado é o papel da Teoria das Cordas na discussão sobre o multiverso. Essa teoria sugere que as partículas fundamentais são compostas por cordas de energia vibrantes e que o Universo pode ter mais dimensões além das três conhecidas.

De acordo com Slepian, diferentes versões da teoria indicam que constantes físicas — como a velocidade da luz ou a carga elétrica — poderiam assumir valores distintos. Isso abre a possibilidade de múltiplos universos com características próprias.

Apesar disso, ele ressalta que não há evidências definitivas que confirmem a Teoria das Cordas ou a existência de outros universos. Caso esses universos existam, é possível que não tenham qualquer conexão com o nosso, o que dificultaria ainda mais a obtenção de provas diretas.

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Evidências e limites atuais

Slepian afirma que a Teoria das Cordas pode gerar previsões sobre fenômenos em altas energias ou em escalas extremamente pequenas. Se essas previsões forem confirmadas, poderiam servir como evidência indireta da teoria — e, consequentemente, reforçar a possibilidade do multiverso.

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Ainda assim, ele pondera que, até o momento, não há comprovação direta. “Embora seja uma maneira fascinante de imaginar a mecânica quântica, trata-se apenas de uma interpretação”, indica.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital desde 2021

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