Desde que foi descoberto em julho de 2025, o cometa 3I/ATLAS – terceiro objeto interestelar já registrado – vem sendo monitorado por telescópios em solo e missões espaciais. Agora, enquanto segue para fora do Sistema Solar, o objeto passou por Júpiter, e a sonda JUICE, da Agência Espacial Europeia (ESA), aproveitou a oportunidade para registrar imagens e coletar dados detalhados sobre ele.
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Originalmente projetada para estudar as luas geladas de Júpiter, a missão acompanhou o cometa logo após o periélio, o ponto mais próximo do Sol, a cerca de 210 milhões de quilômetros de distância. Apesar de não se aproximar demais, o calor foi suficiente para afetar seu corpo gelado, formado há bilhões de anos e possivelmente nunca exposto tão de perto a uma estrela por milhões de anos.
Nesta quinta-feira (2), a ESA divulgou novas imagens, inclusive em cores, e informações sobre o comportamento do 3I/ATLAS.

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3I/ATLAS perdeu 2 mil kg de vapor por segundo
Os dados mostram que o cometa perdeu diariamente o equivalente a 70 piscinas olímpicas de água, cerca de dois mil quilos de vapor por segundo. Esse valor é alto em comparação com outros cometas distantes, mas ainda apenas um décimo do que o Cometa Halley libera em sua aproximação mais intensa ao Sol.
A emissão de vapor ocorreu principalmente no lado voltado para o Sol, formando uma anticauda. Diferente das caudas tradicionais, essa aponta em direção oposta ao fluxo de partículas solares, indicando que parte do vapor vinha de grãos na coma, o halo de poeira e gás ao redor do núcleo, e não do núcleo em si.

Observações em ultravioleta mostraram que a coma do cometa se estendia por cerca de cinco milhões de quilômetros, formando um halo impressionante de gás e poeira ao redor do núcleo. Embora grande, essa extensão não é recorde entre os cometas. Ainda assim, os astrônomos destacam que o 3I/ATLAS é ao mesmo tempo um visitante excepcional do espaço interestelar e, em muitos aspectos, um cometa com características comuns.

Dados ajudam a monitorar objetos perigosos
A campanha de observação também ajudou a refinar a órbita do cometa. Mesmo sem representar risco à Terra, os dados servem para aprimorar métodos de monitoramento de objetos potencialmente perigosos no espaço. Missões como a JUICE mostram que sondas de longo alcance podem contribuir para a defesa planetária.
Olivier Witasse, cientista da ESA, destacou que a campanha foi inesperada. “A JUICE estava em fase de cruzeiro, com restrições térmicas próximas ao Sol, e nenhuma atividade científica era planejada. Mas a singularidade do cometa justificou a observação extra.”
Com a passagem do 3I/ATLAS, a JUICE provou sua capacidade de coletar dados valiosos além de sua missão principal. Claire Vallat, cocientista do projeto, destaca que os resultados iniciais são promissores e reforçam o potencial da sonda para estudar Júpiter e suas luas geladas a partir de 2031.










