A Microsoft anunciou que vai investir US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51,5 bilhões) no Japão ao longo dos próximos quatro anos. O aporte será direcionado à infraestrutura de nuvem e inteligência artificial, e faz parte da estratégia da companhia para ampliar sua presença na Ásia.
Continua após a publicidade
O plano inclui a expansão da infraestrutura no país, com parcerias firmadas com a Sakura Internet e a SoftBank. As companhias locais serão responsáveis por fornecer capacidade computacional, incluindo GPUs.
O pacote também prevê investimentos em cibersegurança e a formação de profissionais especializados. A meta da Microsoft é treinar um milhão de engenheiros de IA até 2029.
Segundo a empresa, o processamento de dados será mantido dentro do território japonês, conforme exigências locais.
O anúncio ocorreu paralelamente a um encontro entre o presidente da Microsoft, Brad Smith, e a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
A movimentação também reflete a intensificação da concorrência no setor. A Microsoft disputa espaço no mercado japonês com rivais como Amazon e Alphabet, em um cenário no qual o Japão busca fortalecer seu próprio ecossistema de inteligência artificial para reduzir a dependência externa e competir com Estados Unidos e China.
Nos últimos dias, a big tech já havia anunciado iniciativas semelhantes em outros países asiáticos, como Singapura e Tailândia. O novo pacote amplia um compromisso anterior de cerca de US$ 2,9 bilhões voltado ao Japão, divulgado em 2024.

Setor de IA enfrenta desafios
Apesar do avanço dos investimentos, o setor enfrenta desafios estruturais. A construção de data centers (essencial para suportar aplicações de IA) tem elevado o consumo de energia em escala global. Esse cenário se agrava com tensões no Oriente Médio, que impactam o fornecimento energético.
No caso japonês, a dependência de importações de petróleo da região ultrapassa 90%, o que tem levado o país a recorrer a fontes menos eficientes, como usinas a carvão, para suprir a demanda.
Ainda assim, o governo japonês mantém planos ambiciosos para o setor. Neste ano fiscal, cerca de ¥ 1,23 trilhão (cerca de R$ 40 bilhões) serão destinados ao desenvolvimento de semicondutores avançados e inteligência artificial. A meta é ampliar a participação do país no mercado global de chamada “IA física” para mais de 30% até 2040.
Dentro desse contexto, a Microsoft também busca fortalecer sua oferta de produtos. A empresa tem apostado no Microsoft Copilot como ferramenta central para ambientes corporativos, embora enfrente forte concorrência de soluções como o ChatGPT e o Gemini.
Vitoria Lopes Gomez
Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e pós-graduanda em Jornalismo Digital pela Faculdade Cásper Líbero. Atualmente, é redatora de Hard News.











