Cientistas descobrem como “pausar” fertilidade masculina

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A busca por um método contraceptivo masculino que seja seguro, reversível e livre de hormônios ganhou um novo capítulo promissor. Um estudo liderado pela Universidade Cornell, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstrou que é possível “pausar” a produção de espermatozoides ao atingir uma fase específica da divisão celular, garantindo o retorno total da fertilidade após a interrupção do tratamento.

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Atualmente, as opções para homens limitam-se basicamente ao uso de preservativos ou à vasectomia. Enquanto a primeira depende do uso correto em todas as relações, a segunda é um procedimento cirúrgico de difícil reversão. O novo avanço foca em uma alternativa que não interfere na testosterona, evitando efeitos colaterais comuns em terapias hormonais.

O alvo: a meiose Profase I

A inovação da equipe de Cornell, detalhada no Earth.com, foi focar na meiose, o processo natural de formação dos gametas. Especificamente, os cientistas miraram a Profase I, uma fase que funciona como uma etapa crítica na fabricação de esperma.

Para testar a viabilidade dessa estratégia, os pesquisadores utilizaram uma pequena molécula inibidora chamada JQ1. Embora o JQ1 não seja o produto final destinado ao mercado – devido a efeitos colaterais neurológicos conhecidos –, ele serviu como a “prova de conceito” ideal para demonstrar que o mecanismo de bloqueio funciona e é seguro a longo prazo.

Como o bloqueio funciona

Durante os testes com camundongos, a administração do inibidor por três semanas interrompeu seletivamente o programa de transcrição necessário para a maturação das células germinativas.

  • Interrupção seletiva: o fármaco atua na proteína BRDT, essencial para o “surto” de atividade genética durante a meiose.
  • Preservação das células-mãe: diferente de outros métodos que podem causar danos permanentes, esta abordagem preserva as células-tronco espermatogoniais (SSCs), garantindo que a capacidade regenerativa do testículo permaneça intacta.
  • Efeito visual: o tratamento resultou na depleção de espermatozoides maduros e em um bloqueio reversível da espermatogênese.

Recuperação total e prole saudável

Um dos pontos mais celebrados pela Dra. Paula Cohen, diretora do Centro de Ciências Reprodutivas de Cornell, em entrevista ao Earth.com, é a robustez da recuperação. Após a retirada do medicamento, os marcadores biológicos da meiose voltaram ao normal em seis semanas.

A normalização completa da fertilidade e da qualidade dos espermatozoides ocorreu em até 30 semanas. “O mais importante é que os descendentes [gerados após a recuperação] são completamente normais”, afirmou Cohen. Os cientistas acompanharam a geração seguinte (F1) e confirmaram que os filhotes eram saudáveis e férteis, sem carregar defeitos genéticos decorrentes do tratamento dos pais.

Próximos passos

O estudo estabelece um “roteiro molecular” para o design de novos contraceptivos. O objetivo agora é desenvolver moléculas mais específicas que o JQ1, capazes de realizar o mesmo bloqueio na proteína BRDT sem atingir outros alvos no organismo, minimizando riscos de efeitos adversos.

Se bem-sucedido em humanos, o método poderá ser administrado via injeções de longa duração ou até adesivos cutâneos, oferecendo uma solução discreta, eficaz e, acima de tudo, reversível para o planejamento familiar masculino.

Olhar Digital

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