Tudo sobre Artemis 2
Após 9 dias, 1 hora, 32 minutos e 15 segundos de uma coreografia espacial precisa, a Artemis 2 concluiu com sucesso a primeira missão tripulada à Lua em mais de meio século. Em uma viagem inesquecível ao redor do satélite, os quatro astronautas a bordo da cápsula Orion tiveram visões únicas do chamado “lado oculto”.
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Depois de uma reentrada desafiadora na atmosfera, que enfrentou temperaturas de quase 2.760°C, a espaçonave pousou com auxílio de paraquedas no oceano Pacífico, na costa da Califórnia, às 21h07 (pelo horário de Brasília), conforme previsto pela NASA.

Com transmissão ao vivo pelo Olhar Digital, o momento entrou para a história da exploração espacial humana, coroando uma jornada de feitos inéditos:
- Primeira missão tripulada do século XXI a sobrevoar a Lua: nenhuma missão humana chegava tão longe desde a Apollo 17, em 1972;
- Diversidade: além de levar a primeira mulher e o primeiro homem negro para além da órbita baixa da Terra, a tripulação formou a primeira equipe internacional rumo à Lua – todos os astronautas das missões Apollo eram dos EUA;
- Distância recorde: ao atingir 406.771 km da Terra, a Orion superou a marca histórica da Apollo 13, de 400.171 km, tornando-se a missão tripulada que mais se afastou do planeta na história.
Como foi o pouso da Artemis 2
A sequência de retorno começou às 14h50, quando os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), iniciaram a preparação da cabine da Orion para a reentrada. Dentro da cápsula, sistemas foram ajustados e parâmetros essenciais da nave foram checados com atenção máxima. Às 15h53, uma manobra de correção acionou os motores por oito segundos e refinou a trajetória de retorno, produzindo uma mudança de velocidade de 1,28 metros por segundo e colocando a Orion no corredor ideal em direção à atmosfera terrestre.
Cerca de cinco minutos depois da separação entre o módulo de serviço, desenvolvido pela Agência Espacial Europeia (ESA), e o módulo de tripulação, que ocorreu às 20h33, a cápsula com os astronautas começou a sentir o atrito intenso da atmosfera, entrando na fase mais crítica da descida, enquanto o módulo de serviço se desintegrará inofensivamente na atmosfera terrestre sobre o Oceano Pacífico.
O comandante Wiseman relatou ter visto o módulo de serviço ejetado se separar do módulo da tripulação. “Tivemos uma ótima vista do Módulo de Serviço Europeu pela janela, com o sol batendo na lateral. É uma máquina linda.” Poucos minutos mais tarde, às 20h37, a Orion atingiu a interface de entrada, quando o calor e a velocidade chegaram ao limite.
A cápsula Orion, da NASA, entrou na atmosfera terrestre a cerca de 122 mil metros de altitude, viajando a mais de 30 vezes a velocidade do som e a cerca de 3.150 quilômetros do ponto previsto de amerissagem. Nesse momento, ela inicia o contato com as camadas mais altas da atmosfera e começa sua descida controlada em direção ao oceano.
Aproximadamente um minuto e 20 segundos após o início da reentrada, ocorre o pico de aquecimento, quando a cápsula atinge até 2.760 graus Celsius em condições extremas registradas.Logo depois, houve um período programado de interrupção das comunicações, que durou cerca de seis minutos, causado pelo acúmulo de plasma ao redor da cápsula devido ao intenso aquecimento durante a reentrada.
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Durante a descida, a espaçonave foi envolvida por uma intensa camada de plasma incandescente, que interrompeu temporariamente as comunicações com a Terra – um silêncio previsto, mas sempre crítico para as equipes em solo. A aproximadamente oito quilômetros de altitude, ainda em alta velocidade, três pequenos paraquedas de estabilização foram acionados, seguidos por dois paraquedas de frenagem que reduziram gradualmente a velocidade da cápsula.
Já próximo ao mar, a cerca de três quilômetros do oceano, três paraquedas pilotos abriram os três paraquedas principais, cada um com 35 metros de diâmetro. A Orion desceu suspensa a cerca de 81 metros abaixo desse conjunto, desacelerando para menos de 32 km/h até tocar suavemente as águas do Pacífico.
Logo em seguida, Wiseman informou que todos os quatro tripulantes estavam em boas condições. “Estamos estáveis”, disse ele.
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Duas horas antes, as equipes a bordo do porta-aviões USS John P. Murtha, da Marinha dos Estados Unidos, já estavam posicionadas e prontas para a operação de resgate. Helicópteros foram mobilizados para retirar os astronautas logo após o pouso, em um procedimento amplamente treinado em 12 simulações com módulo de teste e já validado na missão Artemis 1.
[em atualização]










