Sam Altman comenta ataque à sua casa e rebate críticas

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O CEO da OpenAI, Sam Altman, publicou um post em seu blog na noite de sexta-feira (10) em que comenta um ataque contra sua residência e responde a críticas levantadas após a publicação de um perfil investigativo da revista The New Yorker.

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O episódio ocorreu durante a madrugada, quando um coquetel molotov foi arremessado contra sua casa por volta de 3h45. Segundo o executivo, o artefato atingiu a residência, mas não causou feridos. Ele afirmou ainda que decidiu compartilhar uma imagem de sua família como forma de tentar dissuadir novos ataques.

Homem interage com bebê sentado sobre mesa ao lado de um bolo de frutas em ambiente externo
Sam Altman publicou uma foto de sua família no post de seu blog em que comenta ataque – Imagem: Reprodução / Sam Altman

Altman também relacionou o caso à repercussão de um “artigo incendiário” publicado dias antes. De acordo com ele, havia sido alertado de que o conteúdo, divulgado em meio a um período de ansiedade em torno da inteligência artificial, poderia aumentar os riscos à sua segurança, mas optou por ignorar o aviso.

“Agora estou acordado no meio da noite e irritado, pensando que subestimei o poder das palavras e narrativas”, escreveu.

Perfil investigativo questiona confiabilidade de Sam Altman

O artigo citado foi escrito pelos jornalistas Ronan Farrow e Andrew Marantz. A reportagem se baseia em entrevistas com mais de 100 pessoas que têm conhecimento sobre a atuação empresarial de Altman.

De acordo com os autores, a maioria das fontes descreveu o executivo como alguém com “uma vontade implacável de poder que, mesmo entre industriais que colocam seus nomes em espaçonaves, o diferencia”.

Sam Altman de lado
Executivo rebateu críticas de artigo da revista The New Yorker – Imagem: FotoField/Shutterstock

O texto também aponta que diversas fontes levantaram dúvidas sobre sua confiabilidade. Um membro anônimo do conselho afirmou que Sam Altman combina “um forte desejo de agradar pessoas, de ser querido em qualquer interação” com “uma falta sociopática de preocupação pelas consequências que podem advir de enganar alguém”.

Admissão de erros e reflexões

Na publicação, Altman afirmou que, ao refletir sobre sua trajetória na empresa, consegue identificar “muitas coisas das quais se orgulha e vários erros”. Entre eles, destacou a tendência de evitar conflitos, que, segundo ele, causou “grande dor” para si e para a OpenAI.

O executivo também mencionou o conflito com o conselho anterior, que resultou em sua saída e posterior retorno ao cargo em 2023. Ele afirmou não ter lidado bem com a situação, classificando o episódio como um “grande problema” para a empresa.

“Sou uma pessoa falha no centro de uma situação excepcionalmente complexa, tentando melhorar um pouco a cada ano”, escreveu. Ele acrescentou que se arrepende de erros cometidos ao longo da trajetória e pediu desculpas a pessoas que possam ter sido afetadas.

Dinâmica do “anel de poder”

Altman também comentou o que descreveu como um “drama shakespeariano” entre empresas do setor. Segundo ele, há uma dinâmica semelhante a um “anel de poder”, associada à ideia de controlar a inteligência artificial geral.

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Para o executivo, o problema não está na tecnologia em si, mas na noção de que uma única entidade deva controlá-la. Como alternativa, defendeu a distribuição ampla da tecnologia, com maior participação de indivíduos e instituições.

Ele também afirmou que o processo democrático deve permanecer mais influente do que as empresas nas decisões sobre o futuro da tecnologia, mesmo que isso torne o processo mais lento e complexo.

Ao final, Altman disse que recebe bem críticas feitas de boa-fé e reconheceu que preocupações com os impactos da tecnologia são legítimas. Ainda assim, reiterou sua visão de que o progresso tecnológico pode trazer benefícios amplos.

“Enquanto temos esse debate, devemos reduzir a escalada da retórica e das táticas e tentar ter menos explosões em menos casas, figurativa e literalmente”, concluiu.

Ana Luiza Figueiredo

Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Olhar Digital

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