Descoberto em 8 de setembro de 2025, o cometa C/2025 R3 (PanSTARRS) deve se tornar um dos principais destaques astronômicos de 2026. Inicialmente, as previsões indicavam um brilho modesto, visível apenas com binóculos. No entanto, observações recentes apontam que ele pode alcançar intensidade suficiente para ser visto a olho nu.
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As estimativas atuais sugerem que o cometa pode atingir magnitude de 1,2. De acordo com Marcelo Zurita, presidente da Associação Paraibana de Astronomia (APA), membro da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), diretor técnico da Rede Brasileira de Observação de Meteoros (BRAMON) e colunista do Olhar Digital, um fenômeno chamado “dispersão frontal” pode ampliar ainda mais a luminosidade do objeto.
Caso isso ocorra, o objeto poderá atingir magnitude -2, o que faria o brilho superar o de Sírius, a estrela mais brilhante do céu noturno. Com isso, possivelmente, este tende a ser o cometa mais brilhante do ano.

A melhor oportunidade de observação será entre o fim de abril e o início de maio. No Hemisfério Norte, o cometa aparece no céu antes do amanhecer. Já no Hemisfério Sul, será possível observá-lo logo após o pôr do Sol.
Em ambos os casos, o cometa ficará bem próximo ao horizonte. Por isso, será necessário procurar locais escuros, longe da poluição luminosa das cidades. Mesmo com brilho elevado, a iluminação artificial pode dificultar a visualização.
O C/2025 R3 é classificado como um cometa de longo período, possivelmente originado na distante Nuvem de Oort. Sua órbita pode levar cerca de 170 mil anos para se completar, o que torna essa passagem uma oportunidade única para observação.
Desde que foi identificado, o cometa vem aumentando de brilho gradualmente. De acordo com a Associação Astronômica Britânica, no momento da descoberta, ele apresentava magnitude próxima de 20, sendo extremamente difícil de observar. Com o tempo, esse valor foi diminuindo, indicando aumento de luminosidade.
Em janeiro, o cometa já estava com magnitude 17, e astrônomos registraram o surgimento da coma, uma nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo. Já neste mês, ele alcançou magnitude 6, tornando-se visível em condições ideais de céu escuro.
Esse processo ocorre porque, ao se aproximar do Sol, o calor faz com que o material do cometa evapore. Esse material reflete a luz solar, aumentando o brilho e formando estruturas como a coma e a cauda.

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Como e quando observar
O melhor momento para observar o cometa será após o periélio, ponto de maior proximidade com o Sol, que será atingido no domingo (19). Antes e alguns dias depois disso, a luz solar intensa dificulta sua visualização no céu.
A melhor janela de observação no Hemisfério Sul ocorrerá entre o final de abril e o início de maio, quando o cometa estará visível logo após o entardecer. Ele aparecerá baixo no horizonte oeste, exigindo atenção ao horário e um campo de visão desobstruído.
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Para melhorar a experiência, recomenda-se buscar locais afastados de áreas urbanas, com pouca poluição luminosa e boa visibilidade do horizonte. O ideal é iniciar a observação logo no início do crepúsculo, quando o céu ainda não está totalmente escuro, com o brilho do cometa se destacando com mais facilidade contra o fundo ainda relativamente limpo. Binóculos podem ajudar a identificar a coma e a cauda, especialmente nos primeiros dias de visibilidade.









