Eurosky: a nova infraestrutura de rede social da Europa

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Para reduzir sua dependência das gigantes de tecnologia dos Estados Unidos, a Europa lançou oficialmente nesta quinta-feira (16) a Eurosky. Esta é uma nova infraestrutura de redes sociais que promete devolver aos usuários a propriedade integral de seus dados e desafiar o domínio de empresas como Meta e X (antigo Twitter).

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Diferente de um aplicativo isolado, a Eurosky funciona como uma base técnica na qual diferentes plataformas podem ser construídas, garantindo que as informações dos cidadãos europeus sejam hospedadas em servidores locais e sigam rigorosamente as leis da União Europeia, conforme reportado pela Euronews.

O fim do monopólio dos dados

O projeto surge em um momento de forte tensão entre Bruxelas e o Vale do Silício. Recentemente, a Comissão Europeia aplicou multas pesadas ao X por violações de transparência, enquanto o chatbot Grok foi criticado por gerar nudes falsos (os chamados “deepfakes”) não consensuais.

Diante desse cenário, cerca de 50 parlamentares europeus pressionaram pela criação de redes sociais próprias. A Eurosky responde a esse chamado oferecendo:

  • Identidade digital única: o usuário possui uma identidade que pode ser usada em diferentes aplicativos do ecossistema.
  • Servidores de Dados Pessoais (PDS): é onde posts, perfis e conexões ficam agrupados, sob controle do dono da conta, e não da empresa.
  • Conformidade legal: total alinhamento com as normas de privacidade da UE.

A tecnologia por trás da Eurosky

A infraestrutura utiliza o AT Protocol, o mesmo framework de código aberto que sustenta o Bluesky. Isso permite que os usuários conectem suas identidades em diversos serviços de forma descentralizada.

“A parte social foi removida cirurgicamente pelas Big Techs. A verdadeira oportunidade aqui é trazer o aspecto social de volta para as redes sociais”, afirmou Sebastian Vogelsang, cofundador da Eurosky e CEO do Flashes.app (um rival do Instagram construído sobre essa base), em coletiva de imprensa.

Rumo à independência total

Embora o ecossistema esteja em expansão, a Eurosky ainda utiliza parte da infraestrutura central do Bluesky, especialmente para moderação de conteúdo. No entanto, o grupo – que inclui tecnólogos, empreendedores e figuras como Robin Berjon (ex-estrategista de dados do The New York Times) – já estabeleceu um cronograma para a independência completa.

O plano inclui o desenvolvimento de um sistema compartilhado de moderação que poderá ser licenciado por qualquer desenvolvedor de aplicativos na Europa. Para Vogelsang, essa é a única forma de ameaçar a hegemonia de grupos como Alphabet (Google) e ByteDance (TikTok).

Olhar Digital

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