A Tesla divulgou, nesta quarta-feira (22), os resultados financeiros do primeiro trimestre, com lucro acima das expectativas de analistas, mas receita abaixo do previsto. Após o balanço, as ações da companhia subiram mais de 3% após o pregão regular.
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De acordo com estimativas de analistas consultados pela LSEG, o lucro por ação ajustado ficou em US$ 0,41 (R$ 2,05), superando a previsão de US$ 0,37 (R$ 1,85). Já a receita totalizou US$ 22,3 bilhões (R$ 111,7 bilhões), abaixo da expectativa de US$ 22,6 bilhões (R$ 113 bilhões).
Apesar do desempenho no lucro, as ações da Tesla têm apresentado desempenho inferior ao de outras empresas de grande capitalização neste ano, acumulando queda de 14% até o fechamento de quarta-feira (22).
O principal negócio da empresa, o segmento automotivo, continua enfrentando dificuldades diante da crescente concorrência global, incluindo fabricantes chinesas, como BYD e Xiaomi.
Números da Tesla
- Segundo o relatório financeiro, a receita total da Tesla cresceu 16% no trimestre, ante US$ 19,3 bilhões (R$ 96,3 bilhões) registrados no mesmo período do ano anterior;
- No segmento automotivo, a receita também avançou 16%, alcançando US$ 16,2 bilhões (R$ 80,8 bilhões), frente a US$ 14 bilhões (R$ 69,8 bilhões) um ano antes;
- A empresa confirmou ainda que pretende lançar versões “mais acessíveis” de seus veículos Model Y, um SUV, e Model 3, um sedã.
O último ano tem sido desafiador para a Tesla, à medida que concorrentes oferecem veículos mais avançados tecnologicamente e com preços mais baixos, enquanto a linha atual da empresa envelhece.
Além disso, a companhia enfrenta uma reação negativa de consumidores relacionada ao CEO Elon Musk, incluindo sua atuação junto à administração de Donald Trump, declarações políticas consideradas incendiárias e apoio a figuras de extrema-direita.
No início deste mês, a Tesla informou ter realizado 358.023 entregas de veículos no primeiro trimestre, número inferior ao do trimestre anterior, mas cerca de 6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
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A empresa também vem registrando quedas anuais nos últimos dois anos. A retração no trimestre do ano anterior foi parcialmente atribuída à “perda de várias semanas de produção”, em função de atualizações nas linhas de fabricação do Model Y.
O lucro líquido atingiu US$ 477 milhões (R$ 2,3 bilhões), ou US$ 0,13 (R$ 0,65), ante US$ 409 milhões (R$ 2 bilhões), ou US$ 0,12 (R$ 0,60), no mesmo período do ano anterior.
As margens brutas da montadora no setor automotivo, exceto a venda de créditos de carbono para regulamentação ambiental, atingiram 19,2%, maior índice registrado em relação aos trimestres de 2025.
Segundo a Tesla, as margens foram impulsionadas pelo aumento do preço médio de venda e pela redução do custo médio por veículo por conta da diminuição dos custos de materiais.
Segundo a companhia, os lucros também foram impulsionados por “benefícios pontuais” relacionados às tarifas e às garantias automotivas.
No segmento de energia, que inclui instalações solares e sistemas de armazenamento por baterias, a receita somou US$ 2,41 bilhões (R$ 12 bilhões) no trimestre, uma queda de 12% em relação aos US$ 2,7 bilhões (R$ 13,6 bilhões) registrados um ano antes.
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Musk tem buscado mudar a narrativa em torno da empresa, destacando avanços em tecnologias de direção autônoma e no desenvolvimento de robôs humanoides.
Embora a Tesla esteja testando um número limitado de veículos sem motorista em seu serviço de transporte no Texas (EUA), a empresa ainda depende majoritariamente das vendas de veículos elétricos para gerar receita e não comercializa, até o momento, um veículo totalmente preparado para operação como robotáxi.
Os investimentos de capital cresceram 67% no último trimestre, chegando aos US$ 2,49 bilhões (R$ 12,4 bilhões), ante os US$ 1,49 bilhão (R$ 7,4 bilhões) no mesmo trimestre em 2025.
Mudança de rumos
Em janeiro, a companhia de Musk determinou o fim da produção dos modelos S e X e que sua fábrica em Freemont, Califórnia (EUA), passaria a ser utilizada para a construção dos robôs humanoides Optimus.
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Já nesta quarta, a empresa disse que “os preparativos para nossa primeira fábrica Optimus em larga escala começarão em breve, no segundo trimestre”, com plano para que a “linha de primeira geração” produza um milhão de robôs anualmente.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.









