O plano de Musk para estrear SpaceX na bolsa sem perder o controle da empresa

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A SpaceX prepara uma estreia histórica na bolsa de valores, com uma avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão (aproximadamente R$ 9 trilhões). No entanto, os documentos do IPO (oferta pública inicial) revelam uma estratégia: garantir que Elon Musk mantenha as rédeas da companhia. 

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De acordo com trechos analisados pela Reuters, a empresa terá o status de “companhia controlada”, o que a dispensa da obrigação legal de ter uma maioria de diretores independentes em seu conselho.

Na prática, essa manobra utiliza ações de supervoto para concentrar o poder nas mãos de Musk e de um pequeno grupo de aliados, o que blindaria a gestão contra pressões de investidores externos. 

É um modelo raro no mercado financeiro. Um estudo de 2024 aponta que apenas 3% a 4% das maiores empresas listadas nos EUA operam com a maioria do conselho formada por membros da própria empresa. 

Como o modelo de ‘empresa controlada’ livra a SpaceX de comitês independentes

Ao ser classificada como uma “empresa controlada”, a SpaceX não precisará formar comitês independentes para decidir sobre salários ou indicações de executivos, por exemplo. 

A única exigência rígida mantida é a presença de um comitê de auditoria composto por diretores independentes. Essa flexibilidade aproxima a SpaceX do modelo da Meta.

Na big tech dona de redes sociais (Facebook, Instagram, WhatsApp), Zuckerberg detém o controle dos votos. Mas a companhia preferiu manter a maioria de seus diretores como independentes.

Logo da Spacex
Ao ser classificada como “empresa controlada”, SpaceX não precisaria formar comitês independentes para decidir sobre salários ou indicações de executivos – Imagem: photo_gonzo/Shutterstock

O status de empresa controlada “parece aliviar [para a SpaceX] algumas das coisas que têm sido legalmente dolorosas para a Tesla’”, disse David Larcker, professor da Universidade de Stanford. 

No caso da montadora, a falta de independência do conselho levou a justiça a anular temporariamente um pacote salarial de US$ 56 bilhões (R$ 277 bilhões) em 2024, alegando proximidade excessiva entre os diretores e o CEO. 

Com o novo status na SpaceX, o conselho teria mais liberdade para aprovar pagamentos bilionários sem o risco de constantes contestações judiciais.

O plano de remuneração de Musk na SpaceX é atrelado a metas de crescimento financeiro monumentais, com objetivos de valor de mercado que chegam a US$ 7,5 trilhões (R$ 37 trilhões)

À medida que a empresa atingir esses marcos, o bilionário terá direito a receber pacotes de ações. Esse mecanismo garante que a fortuna pessoal de Musk continue a crescer em paralelo à valorização da companhia no mercado de capitais.

Além do sucesso financeiro, o conselho estabeleceu metas técnicas que parecem saídas da ficção científica para liberar os bônus de Musk. 

Entre os objetivos estão a fundação de uma colônia permanente em Marte com pelo menos um milhão de habitantes. O plano também prevê a criação de data centers fora da Terra, com capacidade para processar 100 terawatts de computação anualmente. 

Isso consolidaria a SpaceX como uma potência de inteligência artificial (IA) e infraestrutura espacial. Mas a própria empresa já admitiu que essa ideia pode não ser comercialmente viável.

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

Olhar Digital

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