Elon Musk tem um novo desafio: levar a SpaceX à bolsa de valores

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Quando o PayPal entrou na bolsa de valores em 2002, Elon Musk, um dos acionistas, já pensava no próximo grande passo. Enquanto executivos celebravam em um cassino em Las Vegas, o empresário estudava um manual soviético de foguetes e traçava os planos do que viria a ser a SpaceX.

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Duas décadas depois, a empresa se consolidou como a principal força do setor espacial privado. A SpaceX liderou o desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, ampliou a frequência de lançamentos e colocou em órbita milhares de satélites da rede Starlink.

Agora, a companhia se prepara para um novo passo: a abertura de capital. A operação pode acontecer ainda este ano e tem potencial para avaliar a empresa em cerca de US$ 1,75 trilhão. Se o número for confirmado, será a maior estreia na bolsa de valores da história e colocaria Musk mais perto de ser o primeiro trilionário do mundo.

Mas, segundo documentos analisados pela agência Reuters, o futuro da SpaceX pode ir muito além de foguetes. O pré-IPO (Oferta Pública Inicial) indica uma mudança estratégica que posicionaria a empresa não só no setor espacial, mas também no de inteligência artificial. Os planos incluem data centers no espaço e até atividades industriais na Lua e em Marte.

Os arquivos também trazem uma visão ambiciosa do papel da empresa no futuro da humanidade, com o objetivo de “tornar a vida multiplanetária, para compreender a verdadeira natureza do universo e estender a luz da consciência às estrelas”.

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Sucesso da SpaceX depende da Starship, que ainda está em fase de testes e não é 100% confiável – Imagem: SpaceX

Entrada da SpaceX na bolsa ainda enfrenta cautela

Apesar da narrativa visionária, há sinais de cautela nos bastidores. A SpaceX registrou prejuízo no último ano e, segundo os documentos, investe menos em inteligência artificial do que gigantes de tecnologia como Microsoft, Alphabet e OpenAI – empresas com as quais deverá competir diretamente caso a nova estratégia se confirme.

Além disso, muitos dos projetos apresentados ainda dependem de tecnologias que não foram testadas ou comprovadas comercialmente. Isso inclui desde data centers orbitais até a criação de colônias humanas fora da Terra.

Mesmo assim, a confiança dos investidores em Elon Musk segue elevada. De acordo com a Reuters, grandes fundos como Fidelity, Founders Fund e Valor Equity permanecem entre os apoiadores da empresa, apostando no histórico do bilionário de transformar ideias arriscadas em negócios viáveis.

“Eu sempre achei que ele era maluco. Mas o perigo de apostar contra ele é que ele pode acabar sendo astuto como uma raposa e conseguir realizar seus objetivos”, disse Walter Isaacson, biógrafo de Musk.

Tem quem duvide. Para Eric Talley, professor da Universidade Columbia, a abordagem otimista reflete o estilo do empresário: “o cartão de visitas de Musk é apostar alto e esperar lucrar”.

Outro ponto sensível é a dependência da SpaceX em relação ao próprio fundador. Musk ocupa múltiplas funções, mantém controle sobre o conselho e possui um pacote de remuneração atrelado a metas extremamente ambiciosas, como levar um milhão de pessoas a Marte e elevar o valor da empresa a US$ 7,5 trilhões. O próprio documento reconhece esse risco, destacando que uma eventual ausência do executivo poderia representar um desafio significativo para a companhia, inclusive pela dificuldade de substituí-lo.

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“Ele é a única pessoa que consegue colocar satélites em órbita e trazer astronautas de volta da estação espacial de forma confiável. Ele conseguiu transformar a ficção científica em pura ciência”, afirmou Isaacson.

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No curto prazo, o sucesso da SpaceX também depende do avanço da Starship, foguete totalmente reutilizável que sustenta boa parte das promessas da empresa. O projeto, no entanto, enfrenta atrasos recorrentes devido a desafios técnicos, regulatórios e testes malsucedidos.

O próprio documento pré-IPO reconhece isso: “qualquer falha ou atraso no desenvolvimento da Starship em larga escala… atrasaria ou limitaria nossa capacidade de executar nossa estratégia de crescimento”.

Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez

Vitoria Lopes Gomez é jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e redatora do Olhar Digital.

Olhar Digital

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