Tudo sobre Elon Musk
Tudo sobre OpenAI
Elon Musk retorna ao tribunal de Oakland, na Califórnia (EUA), nesta quinta-feira (30) para continuar seu depoimento no processo contra a OpenAI.
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O julgamento, que teve um terceiro dia tenso na quarta-feira (29), marcou o primeiro encontro presencial entre o bilionário e o CEO da desenvolvedora do ChatGPT, Sam Altman, desde o rompimento da parceria.
A audiência foi pautada pelo embate entre a narrativa de “missão moral” de Musk e evidências de contradição apresentadas pela defesa da OpenAI.
Essa fase inicial da disputa judicial, que busca esclarecer se a startup violou seu compromisso original de ser uma organização sem fins lucrativos, deve se estender até 21 de maio.
Após deixar o banco das testemunhas visivelmente frustrado na sessão anterior, Musk enfrenta agora a fase final do interrogatório, num cenário que mistura visões divergentes sobre o futuro da inteligência artificial (IA) e disputas por controle comercial.
Entre acusações de ‘suborno’ e planos de lucro: o que aconteceu no terceiro dia do julgamento
Durante a manhã de quarta, Musk buscou se posicionar como o “tolo” que financiou uma causa altruísta apenas para vê-la ser transformada numa potência comercial.
O bilionário disse ter investido US$ 38 milhões (aproximdamente R$ 190 milhões) de sua fortuna pessoal para fundar a OpenAI. E lamentou que a empresa tenha se tornado uma gigante de US$ 800 bilhões (R$ 4 trilhões) sob a influência da Microsoft.
Ele acusou a OpenAI de tentar “ter o bolo e comê-lo ao mesmo tempo”, operando como uma entidade lucrativa enquanto mantém o status jurídico de ONG.
Um dos pontos mais críticos do depoimento foi a acusação de “suborno”. Musk afirmou que, após a entrada da Microsoft, a OpenAI lhe ofereceu uma participação acionária na nova estrutura de lucro da companhia.
Segundo o empresário, a proposta era uma tentativa de comprar seu silêncio e interromper suas críticas públicas à mudança de diretriz da empresa.

Sobre sua saída do conselho em 2018, ele justificou que a crise de produção do Model 3 na Tesla exigia sua atenção total. E isso o impediu de participar de reuniões.
À tarde, a defesa da OpenAI contra-atacou usando e-mails de Musk para expor inconsistências. O advogado William Savitt revelou mensagens de 2018 nas quais o bilionário sugeria fundir a OpenAI com a Tesla.
Nessas mensagens, Musk descrevia a montadora como uma “vaca leiteira” que serviria para financiar o desenvolvimento da IA. Para a defesa, isso prova que o empresário também pretendia lucrar com a tecnologia.
O interrogatório também destacou divergências técnicas sobre a Inteligência Artificial Geral (AGI).
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Musk foi questionado sobre publicações recentes no X/Twitter (outra de suas empresas) nas quais afirma que a Tesla será líder mundial em AGI, o que contraria seu depoimento de que a montadora não buscava essa tecnologia no passado.

Além disso, a defesa apresentou um e-mail de Shivon Zilis, executiva ligada a Musk. Na mensagem, ela sugeria o envio de informações internas da OpenAI para o bilionário após ele ter deixado o conselho da empresa.
O clima de hostilidade entre as partes exigiu intervenções constantes da juíza Yvonne Gonzalez Rogers para manter a ordem no tribunal.
A OpenAI argumenta que o processo é uma manobra de Musk para atrasar o desenvolvimento do ChatGPT e beneficiar sua própria ferramenta de IA, o Grok.
A defesa também sustenta que o incômodo do bilionário não é com o lucro da OpenAI, mas sim com o fato de ele não ter o controle total sobre a empresa.
Pedro Spadoni
Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.










