Arqueólogos que atuam na antiga cidade de Oxirrinco, no Egito, identificaram um papiro com trechos da “Ilíada”, de Homero, fixado ao abdômen de uma múmia. O achado em Al Bahnasa, ao sul do Cairo, é o primeiro registro de um texto literário utilizado em rituais funerários na região, datando do período romano.
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Até então, os pesquisadores da Universidade de Barcelona haviam encontrado apenas papiros com fórmulas rituais ou instruções de embalsamamento junto aos corpos. O fragmento em questão pertence ao Livro II do poema épico grego, especificamente à seção conhecida como “Catálogo de Navios”.

Análise e hipóteses
O papiro está fragmentado e em estado frágil. Para evitar danos ao material, a equipe limitou-se a análises visuais, sem o uso de tecnologias como raios-X nesta fase inicial. Por isso, a razão exata para a inclusão de literatura clássica no processo de mumificação ainda é desconhecida.
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Especialistas trabalham com algumas possibilidades: o texto poderia servir como uma identificação do embalsamador ou possuir uma função simbólica de proteção, embora o uso de uma obra literária para esse fim seja considerado incomum pela equipe acadêmica.
Contexto das escavações
Além da múmia com o texto de Homero, as escavações em três tumbas de calcário revelaram outros detalhes dos rituais locais. Foram encontradas:
- Múmias com línguas de folha de ouro ou cobre.
- Jarros com restos cremados de adultos e ossos de bebês.
- Cabeças de felinos envoltas em tecido.
Os achados indicam que o local era utilizado por famílias com poder aquisitivo suficiente para arcar com os custos de um embalsamamento detalhado. As investigações continuam para determinar como a cultura grega e os rituais egípcios se integraram naquela época.
Daniel Junqueira
Daniel Junqueira é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Iniciou sua carreira cobrindo tecnologia em 2009.











