Réptil banguelo parente de crocodilos viveu há 212 milhões de anos nos EUA

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Uma equipe de paleontólogos descobriu uma espécie de réptil pré-histórico bípede, banguelo e bicudo. Batizado de Labrujasuchus expectatus, o animal habitou há 212 milhões de anos onde hoje é o Novo México. E é um parente distante dos crocodilos modernos, apesar de parecer dinossauro.

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O estudo, publicado no Journal of Vertebrate Paleontology na terça-feira (26), aponta que a descoberta ajuda a compreender a evolução convergente, processo no qual criaturas de linhagens distintas desenvolvem características físicas semelhantes. 

Embora caminhasse sobre duas pernas e tivesse braços minúsculos, o réptil pertence ao ramo dos arcossauros (dinossauros são parte desse grupo) que levou aos crocodilos, constituindo uma ramificação lateral que se separou do grupo principal há centenas de milhões de anos.

A escavação que resultou na identificação da espécie faz parte de um projeto de pesquisa coordenado pelo Instituto de Dinossauros do Museu de História Natural do Condado de Los Angeles (NHMLAC).

Anatomia peculiar e histórico do ‘crocodilo-bruxa’ desvendam ecossistema perdido

Os fósseis foram originalmente descobertos em 2006 numa pedreira no sítio de Ghost Ranch, local de 21 mil acres no centro-norte do Novo México altamente reconhecido por sua riqueza em fósseis do Período Triássico. 

O nome do gênero, Labrujasuchus, popularmente traduzido como “crocodilo-bruxa”, faz referência ao antigo nome em espanhol da propriedade, Ranchos de los Brujos, combinado com o termo grego suchus (crocodilo). 

Em termos anatômicos, o réptil surpreende por sua semelhança com os ornitomimossauros, grupo de dinossauros do Período Cretáceo cuja estrutura corporal lembra a de avestruzes. 

Equipe que descobriu o Labrujasuchus expectatus
Equipe que descobriu o Labrujasuchus expectatus em Ghost Ranch, no Novo México (EUA) – Imagem: Nate Smith/NHMLAC

Apesar de não apresentar dentes na boca em forma de bico, os pesquisadores indicam que a banguelice não impedia o animal de manter uma dieta carnívora ou de atuar como comedor de carcaças, visto que frutas ainda não existiam no planeta naquela época. Além disso, a caracterização da nova espécie foi possível graças à identificação de diferenças fisiológicas sutis em ossos específicos, como o úmero.

O Labrujasuchus expectatus é apenas a quinta espécie identificada do Shuvosauridae, grupo de arcossauros bípedes com bico que vagaram pelo sul dos Estados Unidos durante o final do Triássico. 

A espécie preenche uma lacuna cronológica e evolutiva exata entre dois shuvossauros descobertos anteriormente na mesma região, razão pela qual recebeu o nome específico de expectatus (esperado). 

“Encontrar um shuvossauro de um período anterior do Triássico e outro de um período posterior significava que nós, paleontólogos, sabíamos que provavelmente havia mais no intervalo esperando para serem descobertos e descritos”, explicou o coautor Nate Smith, diretor e curador do Instituto de Dinossauros do NHMLAC, ao Discover Wildlife da BBC.

Para a ciência, a relevância desses detalhes anatômicos está na capacidade de mapear com maior precisão a árvore genealógica dos répteis e compreender os caminhos moldados pelos processos evolutivos. 

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“Nós olhamos para esses detalhes finos porque essas são as coisas que os processos evolutivos estão moldando, e isso nos permite chegar à árvore genealógica deles dessa maneira”, afirmou Alan Turner, professor de ciências anatômicas na Stony Brook University e líder da equipe de descoberta, segundo a Scientific American

Ao portal Discover Wildlife, Turner complementou o raciocínio sobre a locomoção do animal: “O bipedalismo é certamente um caminho único para os parentes dos crocodilos seguirem, mas é um caminho bem trilhado pelos dinossauros e, mais tarde, pelas aves. Obviamente funcionou para esses animais.”

Paisagem em Ghost Ranch, no Novo México, nos Estados Unidos
Ghost Ranch, no Novo México (EUA), serviu de cenário para filmaços como Onde os Fracos Não Têm Vez (2008) e Oppenheimer (2024) – Imagem: Nate Smith/NHMLAC

A descoberta consolida o papel de Ghost Ranch como uma janela fundamental para o Triássico, período no qual os animais modernos começavam a se diversificar numa fauna exótica que incluía os lagerpetídeos (parentes bípedes dos pterossauros), o Drepanosaurus (com garras semelhantes às de bicho-preguiça) e o Vancleavea (um minitanque aquático). 

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O local também carrega um forte legado histórico e cultural. Para você ter ideia, foi imortalizado pelas pinturas de Georgia O’Keeffe e serviu de cenário para grandes produções cinematográficas de Hollywood, como Onde os Fracos Não Têm Vez (2008) e Oppenheimer (2024) – ambos vencedores na categoria Melhor Filme do Oscar.

(Essa matéria também usou informações do Museu de História Natural do Condado de Los Angeles.)

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni

Pedro Spadoni é jornalista formado pela Universidade Metodista de Piracicaba. Já escreveu para sites, revistas e jornal.

Olhar Digital

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